
22.2.08
minha alma tem o peso da luz

15.2.08
O Processo de Desistência
Ontem foi dia dos namorados aqui na Inglaterra.
Não apenas o dia de ontem ser o dia dos namorados (14/02), mas outras coisas também não acontecem somente aqui na Inglaterra. O exemplo mais drástico e o volante é do lado esquerdo do automóvel: eu achava que fosse implicância Inglesa, mas não, os países de colonização Inglesa, logicamente também os têm, como a Austrália e ĺndia... que coisa!
Mas eu não vim falar de carros ou de mão de direção. Eu vim falar de foco. Ou eu vim falar do processo de desistência? Não sei mais. (o que e tão minha cara... tão óbvio...). Quantas vezes eu já desisti de mim? Hoje eu acordei com essa pergunta. E, rolando na cama, eu levantei de subto e susto, quando percebi que eu não me lembrava que eu sou um advogado. Eu esqueci as minhas origens, por completo. De vez em quando eu tenho que fazer força pra lembrar, por exemplo, que eu tenho uma vida inteira atrás de mim, cheia de conquistas. E o simples fato de eu ter que fazer força pra me lembrar destas coisas me assusta, porque eu não entendo a mim mesmo e como funciona, na minha cabeca, o processo de desistência. O fato é que de algumas dessas coisas eu resolvi desistir – e foi um processo consciente, mas que não funciona porque eu assim o quis. Seria algo como que a lembrança de que eu devo esquecer, me lembra do que me fez querer esquecer - e assim eu me saboto.
Eu desisto de coisas pequenas também. Nem os artigos das revistas que leio, eu leio até o fim. Foi, aliás, lendo uma revista inocente, que eu dei conta de que eu desisto das coisas. Mas não sei ainda se eu dedisto facilmente delas. Eu não sei, sequer, se eu chego a me envolver com as coisas/pessoas quando eu chego ao ponto de desistir. Pensando bem, pode ser até medo: medo, ao mesmo tempo, da finitude e da infinitude das coisas. Eu tenho medo do que acaba e do que pode acabar, e eu tenho medo do que dura e do que pode durar. Eu tenho medo quando eu não tenho controle, mas tambem tenho medo do que eu controlo. Enfim, eu tenho medo de me decepcionar. Talvez não a mim, porque eu me minto e finjo que está tudo bem – e chega a um ponto em que eu acredito. Seria então o medo de decepcionar aos outros? (o que daria no mesmo, porque eu só me decepciono com pessoas que são, de alguma forma, importantes pra mim) Então, decepcionando aos outros, eu me decepciono comigo outra vez, mas num nível amplamente diferenciado. Droga! Eu perdi o foco de novo!
Eu estou fugindo de mim? O que eu quero de mim com esta inconsciente falta de foco? Falta, aliás, seria o termo correto? Creio que não. Pode ser, inclusive, outra racionalização. Putz! A semiótica acabou mesmo com minha vida...
Eu nunca tive a pretensão de resolver a minha vida num texto, mas antes eu fazia de conta. E acreditava.
14.1.08
Análise Filosófica do “Belo”
A lista era “glamourosa” – se é que se pode usar essa palavra pra esse tipo de empreendimento; mas que fora selecionada a seis muito graves e cuidadosas mãos. O único problema era que o Idigar não concordava com o fato de eu querer incluir “Lady Laura” no CD. Eu tinha meus vinte e poucos anos, e o Idigar estava na casa dos 40. Eu sempre ouvira dizer que a diferença de idade conta muito nos primeiros anos de vida, como, por exemplo, entre pessoas de 8 e 15 anos, mas que perto dos 30 as diferenças iam-se, completamente. Sim, isso era verdade. Eu posso comprovar a teoria por dizer que as opiniões eram respeitadas, mas mesmo a diferença de idade não sendo mais motivo para tabus e rejeições, história de vida e experiências pessoais não podem ser recicladas. Segundo ele, Roberto Carlos era clássico, e não podia ser interpretado como brega. Eu sabia, de cara, que estava diante da discussão filosófica do belo, e que não adiantava argumentar. Foi, pois, que a solução mais politicamente correta foi fazer duas versões do CD (uma delas secreta – a minha, que continha uma faixa bônus).
Quando eu me levantei – lá pelas onze e tanto, a Lu começava a se arrumar para ir ao trabalho (eu estava folgando hoje), eu decidi me olhar no espelho e encarar os restos de pizza fria da geladeira. Eu ainda pensava em “Lady Laura” e nas influências musicais as quais a filhinha da Fernanda vai ser exposta, quando a Lu pediu pra ouvir “Say You’ll Be There”. Na semana que vem eu e a Lu vamos ao show das Spice Girls, em Londres – banda que, hoje em dia, divide a opinião não só dos ingleses com quem eu trabalho. Todos concordam com o fato de que eles cresceram ouvindo às Spice, mas que hoje em dia era brega continuar ouvindo. Eu, particularmente, discordo do fato de que elas são bregas e vou ao show sim, com direito a comprar tour book e camiseta, na porta (belo filosófico outra vez). Pois bem... uma faixa puxou a outra e eis que ouvindo “Let Love Lead The Way” a Lu estava prestes a soltar uma das suas preciosas pérolas: “essa música é tão magoada”, ela começou. Eu disse que gostava, mas fui interrompido quando ela acrescentou que a Victoria estava igualzinha ao Glayson no vídeo. (Sim, Glayson... parece sim!) E deu saudades do Izalty, que não falava conosco há meses, e a quem dávamos por perdido, talvez consumido por uma raiva desconhecida de nós dois.
Fazia meses que não nos víamos. Depois de ele ter muito carinhosamente nos recebido na sua casa até que eu e a Lu estivéssemos em condição de vivermos por nossa conta, ele sumiu. Foi uma época áurea pra mim, viver com meu amigo: os dias com o Izalty tinham gosto de sábado – mesmo quando chegamos ao ponto em que mudar não era uma opção, mas uma necessidade, caso quiséssemos manter a amizade. Era muito calor humano para pouco espaço físico dividido por meses e meses, eu sei. Eram longos os dias em que passávamos os três, sob o mesmo teto, ouvindo “Ain’t Another Man” ou “Upgrade” naquela casa sonora. E eis que eu e a Lu nos encontramos numa situação em que somente nos encontrávamos ocasionalmente com o Izalty, desde que havíamos deixado sua casa na Watlington Street. Cada telefonema não atendido, mensagem não respondida, convite declinado, ou mesmo as possíveis interpretações do tom da sua voz nas raras mensagens que ele nos enviava – quando enviava, era um motivo pra alimentar a nossa já certeza de que ele não nos queria por perto. E os meses se passaram sem sequer nos dizer onde ele agora morava... já tínhamos aprendido a conviver com of fato de que ele não nos queria por perto, quando, hoje, depois de ficarmos com dor na barriga de tanto rir do Glayson-Victoria que a enxurrada Spice Girls trouxe à tona, que resolvemos ligar pra ele, pensando em deixar mais uma mensagem na sua caixa-postal. Sim, chegamos a um ponto em que eu e a Lu nos contentávamos em apenas enviar as mensagens, sem sequer pensar que elas poderiam ser respondias. A nossa amizade agora era com a secretaria eletrônica...
Mas o inesperado aconteceu: ele atendeu ao telefone. Contamos a história e a epifania que era ver não o Glayson como Victoria, mas com a Victoria como Glayson, e ele riu conosco, como ele sempre ria. O Izalty é uma pessoa de riso natural, que, se o clima e o ambiente eram favoráveis, ele ria até do mais plano e vazio comentário. Mas o riso era diferente... era familiar. E aconteceu o inusitado: ele nos convidou para a sua casa. Ele nos disse onde morava, até... e eu fui. Vesti-me, me perfumei e comprei uma roseira chá, pra a casa onde ele mora com o Guto e a Vanessa. Era solene entrar naquela casa... Levou um tempinho pra eu reconhecer os meus amigos e me soltar. Mas quando me soltei, eu passei uma tarde deliciosa constatando que as coisas não mudam: ambições, Madonna, Tânia viajando, Strada, baco, arroz com feijão, vídeo-game, odiar o cabelo e outras análises filosóficas do belo e do nosso próprio caráter. Eu não quis perguntar a ele se havia mesmo algum motivo pra acreditarmos que havia um clima ruim rondando a nossa amizade, e se era apenas superexposição ou mais uma viagem neurótica minha, em que a Lu entrou de carona... talvez eu pergunte um dia, talvez ele leia esse post e venha falar comigo a respeito (ou não): não sei o que vai acontecer de agora pra frente: se vamos nos ver ocasionalmente, se a vida vai mudar por causa disso... eu já estou mais sorridente e espalhei pra todos os espectadores da minha vida na Inglaterra, que eu fui à casa do Izalty hoje. Até um post acabou virando, ao som de Roberto Carlos, claro. E eu acho lindo! Tudo isso.
Ar de Escritor Decadente (100º Post!!!!)
Pois bem, eu queria ganhar a vida escrevendo. Talvez, assim, eu teria esse ar de escritor decadente quando estivesse em minhas entressafras de inspiração, em que, entre um cigarro e outro (eu não fumo!!!), eu sentaria numa beira de calçada qualquer, observaria as pessoas e começaria a escrever sobre nenhuma delas, mas sobre todas ao mesmo tempo. Seria uma escrita quântica, algo que representasse a teoria das cordas, mas em português simples pra emoções complexas e sem muita ação.
Eu seria um homem feliz, creio eu, se eu ganhasse a vida escrevendo. Acontece que os depressivos são felizes quando têm motivos pra chorar – e por isso eu não escrevo pra ganhar a vida – ou talvez não tenha mesmo é talento. (De vez em quando eu me divirto me analisando, caindo nas armadilhas do meu inconsciente – às vezes indo pelo caminho correto, outras apenas me distraindo)
Mas, enfim, cheguei ao centésimo post!
Cheers!
...juro que pensei que meu interesse não passaria do quinto!
9.1.08
O Indizível
E por falar em morte, eu me envergonho de não ter comparecido ao funeral da minha tia Verinha. Se por um lado eu quis manter uma imagem fresca e alegre da minha tia, por outro eu odeio minha negligência para com meu tio e meus primos – que eu amo igualmente. Sonho muito com minha tia. Sonho sempre que eu volto no tempo e que eu tenho algum plano, algum estratagema para livrá-la da morte. Mas ela não me ouve porque eu sou uma criança que ousou dizer o indizível. Não a vi definhar em vida, mas vejo-a sofrendo toda vez em que eu sonho com ela. Quando sonho com minha tia, não é a mesma dor de arrependimento por ter dito ou feito algo do que me arrependo, mas é uma dor infinitamente pior. Minha tia e o Jacko estão sempre juntos, e ao contrário dos outros entes que se foram, parece que eu só percebi a morte dos dois. Parece que funciona assim: já que estou aqui tão longe de todos, engano-me com o suave torpor (ou demência?) de que ainda estão todos vivos, porque, estando tão longe, na faz diferença.
Uma Nova Promessa
Ainda são 21h59 e já estávamos todos dormindo. Eu, principalmente, estou reflexivo. Sim, não sou o único a refletir nessa época do ano. Ontem a noite foi super simpática com troca de presentes e um jantar num lugar divertidíssimo chamado NEW ORLEANS. Não chegamos a falar de 2008, mas é inevitável deixar de pensar como vai ser o ano seguinte, já que estamos tão perto.
Mas ao mesmo tempo eu olho para duas fotos por sobre a cômoda e divertido percebo que ambas foram feitas nos dois últimos reveilons: uma em Guarapari, com a família reunida – todos de branco, e a segunda comigo e com a Lu, apenas, em Turin, vestidos pesadamente de preto. Eu ia dizer que não sabia exatamente onde passaria o reveilon de 2007/2008, mas que certamente seria na Inglaterra, e percebi que não há certeza de nada: tudo não passa de promessas.
Incrivelmente eu percebo, agora que a vida é apenas uma grande promessa. Alguns chamam de esperança – que eu, particularmente, odeio e já falei a respeito dessa praga. Mas é diferente a esperança da promessa, eu sei. E me choca perceber que tudo na minha vida foi uma seqüência incoerente de promessas.
A Clarice disse que ela era uma pergunta. Eu sou uma promessa. E por falar em Clarice, e por falar em ano novo ao mesmo tempo, acho que vale a pena citá-la:
“Quando uma pessoa já experimentou muitos sofrimentos, sabe apreciar as fraquezas e as boas qualidades até mesmo dos próprios inimigos. Por que deve ser nosso inimigo completamente mau, ou a vítima completamente boa? Ambos são criaturas humanas, com o que é bom e o que é mau. E creio que se apelarmos para o lado bom das pessoas teremos êxito, na maioria dos casos.
Sei o que ela quis dizer, mas está errado. Há uma hora em que se deve esquecer a própria compreensão humana e tomar um partido, mesmo errado, pela vítima, e um partido, mesmo errado, contra o inimigo. E tornar-se primário a ponto de dividir as pessoas em boas e más. A hora da sobrevivência é aquela em que a crueldade de quem é vítima é permitida, a crueldade e a revolta. E não compreender os outros é que é certo.”
Deu no jornal: em janeiro vai fazer -17 graus!!!
É, não é tão incomum, mas vale a pena mencionar – nem que seja pra que o final faça sentido e se conecte. Mas, enfim, ontem foi reveillon. Foi a primeira vez que eu passei na Inglaterra, então eu, Lu e João fomos parar em Londres, na Parliament Square – onde as coisas acontecem. Parece que é uma festança anual que lá acontece – com direito a celebridades e contagem regressiva, televisionadas para todo o Reino Unido. E, claro, as pessoas mais importantes da noite estavam lá: nós três.
Com direito a bateria da câmera do João acabar, a memória da da Lu encher e só sobrar o meu telefonezinho cafajeste, a noite se revelou um presente. Além do direito a comemorar 3 viradas (Inglaterra, Itália e Brasil), o clima era somente festa, sem nenhum incidente inconveniente – apenas das centenas de milhares de pessoas que dividiam o espaço conosco. Foi delicioso conversar com família, com amigos e descobrir uma brasileira do nosso lado quando falávamos ao telefone, sermos abordados por um polonês bêbado – mas super gente-fina que falava umas palavrinhas em português, os indianos bêbados, as inglesas barulhentas e claro, os diversos papagaios-de-pirata e penetras que adentravam em várias fotos que tentávamos fazer. Foi simples. Inesquecível. Choveu um pouco, mas não o suficiente para desabrilhantar a festa que zerava o pseudo-tempo que vai se chamaria 2008, desde então. Essa delicia me fez pensar que não se deve subestimar as coisas. E entre elas, nem um país em que conversa sobre “tempo” não significa falta de assunto.
Seguem fotos.
20.12.07
Almoço de Domingo
Traz o gin pro quarto – eu disse, já correndo pra o computador, no intuito de não perder a idéia. A Inspiração está escassa esses dias e eu não posso me dar o luxo de perdê-la.
O copo ainda está cheio de champagne. Eu lavava a louca mesmo ainda bebendo-a – sempre com a intenção de não perder a idéia, mas não ser impetuoso – e rude, deixando a louca do almoço sem ser lavada. Foi uma sopa confraternizada: eu picava vegetais, a Lu picava vegetais. Foi uma festa regada a gin e a faca. Rimos e comemos – sempre no bom estilo dos Cardosos.
Bebemos o gin e mudamos para as taças de champagne. Demo-nos o luxo de beber champagne sorvendo sopa de couve-de-bruxelas e alho-poró – vegetais de inverno. (Eu ainda me pego em situações puramente cotidianas que eu ainda não absorvi. Tem horas em que eu não acredito, ainda - mesmo com todas as dificuldades - que eu meio que não acredito que eu estou aqui.)
Luís Miguel ao fundo. A Lu comparando-o ao vinho. Suas unhas vermelhas contrastando com o amarelo do líquido que já não era champagne, mas algo outro que continha suco de laranja. (Ficou bom!) Isso me faz lembrar que eu gosto de mudanças, mas que também sou pisciano – apenas um dos meus muitos conflitos, eu sei.
Cartinha de Natal
Meia-noite e cinqüenta e três.
-8º C.
Oi, Papai e Mamãe.
Tudo GGSS?
Pois, é: o ano tá no finalzinho e dá um aperto não estar aí com vocês.
Na nossa última conversa meu pai me perguntou quando eu voltava e eu respondi que não sabia. E é bem verdade isso: não sei mesmo quando volto. Não é algo que eu possa planejar com certeza porque eu não sei ainda o caminho pelo qual eu vou seguir na vida. Eu adianto dizendo que eu amo as coisas que existem aqui e que se houvesse a possibilidade de, em vez de eu voltar, eu poder trazer vocês todos pra cá, eu não pensaria duas vezes e traria todos vocês pra Inglaterra, pra a gente ficar pertinho. Mas não tem jeito, infelizmente. Não posso responder pela Lu, mas no que me diz respeito, é bem isso mesmo.
Mas deixa baixo: esse pacotinho é pra celebrar o natal e o ano novo com vocês. Esperamos que vocês gostem dos presentinhos e das bobagens que mandamos. E ah, já vou dizendo que a cartinha deve ter muitos erros de acentuação e de digitação, e peço que não reparem – justo eu que sou tão metódico com o Português... mas é que era pra eu ter enviado a caixa hoje cedo, mas ia ficar muito, mas muito sem graça mandar a caixa e nem uma palavrinha. Isso quer dizer que eu me propus a escrever pra vocês agora de noite, depois do trabalho (acabei de tomar um banho e já estou enrolado no edredom), e no escuro – sim, porque eu chego e a Lu geralmente já está dormindo e vocês sabem o quanto ela é rabugenta quando ela quer ser... então melhor não acordar a fera. J
Muito engraçado pensar em como a minha vida mudou nesses praticamente dois anos... não vou dizer que esteja mais maduro, mas algo muito – e eu não sei dizer se é pra melhor ou pra pior: simplesmente mudou. Estou lutando contra o meu já velho conhecido comodismo e as barreiras culturais pra me encaixar na sociedade Inglesa. E pensando bem, acho que é por isso que eu não penso em ir embora por agora – não antes de domar esse lugar e dizer que eu me encaixei aqui.
Sabem, pai e mãe, cultura é um conceito muito, mas muito amplo de se explicar e vocês sabem muito bem o que significa isso – por exemplo, as diferenças entre os ambientes das casas, por exemplo, da Fatinha e da Maria Cláudia, ou da Vó Tatá e da Vó Zefa. Nenhuma delas é melhor ou pior – são apenas diferentes, e a simples maneira como a gente muda pra se adaptar ao ritmo de cada uma dessas casas dá uma breve idéia de como eu tenho que me portar aqui. A diferença é que em cada uma dessas casas eu me sinto feliz despretensiosamente, mas aqui eu não tenho a tranqüilidade ou a confiança de que quem está ao meu redor quer o meu bem.
Esses dias eu estava pensando em como a minha vida tinha mudado e eu fiquei horrorizado ao perceber que eu não me lembrava mais de coisas tão minhas, como por exemplo, de como eu me senti quando passei no vestibular, ou quando eu fui receber o prêmio do concurso de monografias na faculdade. É normal perder essas lembranças quando se está recomeçando? Será que eu vou sentir essas mesmas sensações quando eu atingir algo semelhante aqui? – não, claro que não: vai ser diferente. Não acredito em recriar situações. Esses dias mesmo – no último dia em que eu falei com vocês pela Net, o João estava a trabalhar e a Lu estava em Londres. Era um dia em que eu não trabalhava e eu acordei tarde, faxinei a casa e depois eu fui a um restaurante e pedi um Spaguetti Carbonara pra jantar – ou era um misto de almoço com janta porque era a primeira coisa que eu comia aquele dia, já lá pelas 4 da tarde. Eu queria relembrar de como eu me senti em Roma fazendo, pela primeira vez, aquela refeição (até a sobremesa eu pedi a mesma: Tiramisù), só que não funcionou. Virou outra coisa que não era Roma. Foi bom, mas teria sido melhor se eu não tivesse tentado recriar uma lembrança. Deu errado do mesmo jeito que ficou o Pesto que eu tentei fazer aí com manjericão e parmesão... Lermbram daquela coisa verde que eu fiz pra colocar no macarrão? Pois é... fiquei traumatizado não porque não deu certo, mas porque não tinha gosto de Itália... o gosto da minha experiência longe de casa.
Eu ainda sei que não vai ser a mesma coisa, mas ao menos o gosto vai ser melhor dessa vez: reparem que tem um vidrinho com um troço verde dentro – esse é o Pesto do qual eu tanto falava. E agora o paladar – ao menos, vai ser o mesmo. Outra coisa que eu mando é um vidro com Molho doce de Pimenta (aqui chamamos de “Sweet Chili”) – eu e a Lu achamos que meu pai – o pimenteiro da casa, vai adorar. Você também vai gostar, mãe: não é forte não. Só que tem uma coisa: se vocês abrirem a caixa e o molho não estiver dentro é porque eu ainda não tenho certeza de que vai ser seguro mandar vidro pelo correio – vocês entendem o medo de fazer lambança e sujar os presentinhos que estão indo na caixinha.
Quanto aos presentinhos, só pra não dizer que não mandamos dinheiro pra vocês, tem um monte de moedas de chocolate fazendo volume. Achei muito fofo e penso que vocês concordariam. Outra coisa é uma caixinha com DVDs dentro (mãe, ainda fico te devendo “Os Maias”!). Gravei uns filmes que mexeram muito comigo (“O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, “Gata em Teto de Zinco Quente”, “Um Corpo que Cai” e “A Malvada” – sem ordem especifica) – e, claro, todos com legenda em português. E já falo uma coisa antes que vocês julguem os filmes pelos títulos (várias coisas, aliás): 1 – eu os vi todos e, conhecendo vocês, eu sei que vão gostar; 2 – não julguem o livro pela capa (lembra, mãe, que você não ia com a cara do “Tomates Verdes Fritos” por causa do nome?), 3 – São filmes clássicos que fizeram história e que eu sempre quis assistir; e, finalmente, 4 – Vocês sabem que eu vou perguntar se vocês gostaram, então, nem que seja pra falar mal: assistam!
E quanto ao presente principal, esperamos mesmo que vocês gostem – foram escolhidos com muito carinho e tentando ser o mais próximo de algo que vocês mesmos adquiririam pra vocês. E quanto a outros presentes que eu gostaria de mandar, ficou complicado demais escolher quem ficaria de fora da lista, então ficou todo mundo. Por exemplo, como mandar presente pra tia Dina sem mandar pra tia Marcela? E como mandar presente pra tia Marcela sem mandar um pro tio Antônio? Como mandar presente pra Vó Zefa sem mandar pra Vó Tatá? E a tia Rita?! Eu queria mandar pra Maria Cláudia, mas aí ficavam o Théo e o Léo de fora! Sem contar os amigos: Marcelo, Élida, Flávio, Glayson, Léo... Que triste! Aliás, triste nada: adoro saber que tenho pessoas a quem amo tanto, e em tanta abundância... e fico triste de novo lembrando o quanto eu estou longe de todos vocês. (Tô ficando deprimido...)
Enfim, hoje já é dia 12 e não sei se vocês receberão o pacote antes do natal (tenho quase certeza de que não, mas vale a intenção... – eu acho!) Bem, o natal não vai ser o mesmo pra mim aqui sem vocês por perto – sem a tradicional comemoração no terraço de casa, com os amigos em volta. Eu não comemoro o Natal segundo a mitologia cristã, mas fico feliz em saber que, mesmo esquecida, a data ainda tem o tradicional poder de unir as pessoas que passam o ano todo meio que distantes – bem, quase todas, já que eu ainda vou estar longe e sem poder abraçar... mas ao menos temos a Internet pra fazer de conta que a distancia não é tão grande quanto ela realmente é. E, também, graças ao Microsoft Word que facilita tanto a minha vida e faz acreditar que uma cartinha com apenas 3 folhinhas é pequenininha, e me faz ficar com vontade de ir escrevendo, escrevendo, escrevendo... queria que a cartinha fosse infinita só pra eu imaginar que vocês estão segurando por mais tempo o papel que eu abracei e beijei, fazendo de conta que eu abraçava e beijava vocês dois. E também pra saber que o meu beijinho não foi apenas pela tela do computador, mas que ele chegou de verdade ate vocês – mesmo que num papelzinho (três, na verdade) e na forma de uma cartinha que era inicialmente apenas um cartãozinho de natal...
Beijos, Papai e Mamãe!
Mandem beijos e abraços a todos (não vou enumerar porque eu ia usar mais não sei quantas outras paginas cheias só de nomes....), fiquem bem e que não apenas o natal e festa de virada ou mesmo o ano novo, mas que as nossas vidas sejam muito, mas muito movimentadas – pra a gente sentir cada minuto dela, pra não nos arrependermos de não ter passado por isso ou aquilo, no fim da vida (que ninguém sabe quando vai ser...).
AMO VOCÊS!
22.11.07
Eu escrevi pra ele/Círculo Vicioso
Sim, eu escrevi. E como em todo momento da minha vida, eu espero pelo melhor – mas quase nunca acontece o melhor. Eu me lembro de como eu sempre contei com a sorte e, quase sempre, na faculdade, por exemplo, eu não estudava para as provas e morria de medo do resultado, mas esperava pelo melhor... sempre. Era a minha maneira de desafiar ao Deus e provar que Ele não aceita contratempos. Então, como parte da minha tênue teoria que só queria mostrar que era Ele quem mandava, acontecia o contrário do que eu esperava. Acontece que eu sempre jogava dos dois lados – ciente que eu era da teoria, e previa o que poderia dar errado – ou o contrário do que eu esperava. Então eu ficava num dilema teodicênico, porque eu sempre perdia, sem saber se porque, prevendo ambas as possibilidades – sim e não, Ele me deixava com o talvez na cabeça. Eu fico confuso ate hoje porque o talvez está entre o sim e o não: e este sou eu! Então eu penso que eu não sou tão positivo assim, como eu acho, porque eu sempre perco quando espero que as coisas aconteçam porque: tanto faz o que eu preveja – mesmo que eu fosse ao todo dos dois extremos, acontecia o pior (quando eu espero pelo melhor)... só que o oposto também acontece, meu Deus!
É uma relação complicada porque eu me precavejo de hipóteses e possibilidades, mas sempre esperando pelo contrário – mas o que é o contrário do contrário? Posso dizer que tudo se resume à primeira impressão ou é complexo mesmo – e só funciona se eu der todas essas voltas?
...e, pois é. Ele não respondeu.
Para o Marcelo
Ouro em Pó
Eis que de repente um cheiro me levou pra outras vidas:
Eu estava lá. Nós estávamos lá.
Refletindo os seus olhos no meu prato, eu via a sua alma.
E a gente confraternizava, e a gente se comia.
Foi então que você me deu o Pedro de presente,
E disse que Caio tinha lhe dado o Pedro,
Mas que daquele ponto em diante eles eram nossos.
E será que eu tenho? – é claro que eu tenho todos vocês
Numa imagem só minha, na minha cabeça. Mas você,
Você eu tenho no coração.
E n’outra vida eu choro,
E você me diz: “goze cada sorriso,
Você não pode ver no escuro, mas
Apenas esperar por que o dia nasça”
(Por que o tempo passa, tão rápido, meu amigo?)
Foi hoje que eu entendi,
Olhando pra trás,
Que caminhamos com ouro em pó
(contra o vento)
Nas nossas mãos...
Malvado
De tempos em tempos eu reinvento a minha máscara. Eu queria que ela fosse ácida agora. Acontece que, nesse momento, eu sou tudo o que eu não queria: etéreo.
Sobre o que eu quero escrever?
Há uns dias atrás eu notei duas linhas diferentes nas minhas mãos. Fiquei curioso e, por dias, eu ensaiava pesquisar o significado daquelas novas linhas. E antes de ontem eu me lembrei de procurar e descobri que as linhas novas nem eram importantes – na verdade elas nem eram listadas nas linhas legíveis... Foi então que eu me deparei com a pergunta: era vontade de encontrar alguma novidade na minha vida – mesmo que a novidade fosse uma constatação do meu dia-a-dia? Ou era desespero pra escrever?
No entanto, eu já percebi que só escrevo quando tenho o que contar – ou seja, quando vejo as coisas e as descrevo (eu só sei escrever assim!). Escrever, pra mim, sintetiza a vida. Eu me sinto vivo quando eu escrevo.
7.11.07
Gold Dust...
Hoje eu estava caminhando - voltando pra casa, e senti uma saudade, um aperto no peito. Sim, eu sinto falta de muita coisa, mas de nada, ao mesmo tempo: não sei explicar. Prefiro chamar de melancolia a tristeza que eu não consigo – e nem quero, explicar. Fiquei pensando a tarde quase toda no Samuel. Lembrei, com aperto no coração, que eu sabia que ele iria em breve – mas meio sem saber... mas eu sabia. E o mesmo aconteceu com o Jacko. Eu sabia que estava na hora de ele ir e eu fiz coisas que eu normalmente não fazia: eu tive a oportunidade de lhe dizer adeus, e eu o fiz. Hoje eu me arrependo de coisas que fiz e que deixei de fazer, enquanto ele estava vivo, mas não carrego a dor de não tê-lo dito adeus – a lembrança do momento em que eu o olhei nos olhos e disse que o amava, ainda me dói. Como ele teve coragem de me deixar? – aquele egoísta! Que droga! Já que eu tenho esse dom de ver no escuro, eu também queria poder entender o que eu enxergo, só pra ter certeza de que eu posso viver sem o medo de ser a ultima vez que eu vivo. Sim, porque dói muito ver o tempo passar e me ver a cada dia, potencialmente mais só. (Sim, eu quero uma mão amiga apertando a minha quando eu me for!) E vivendo de lembranças, as vezes sorrindo, outras chorando, e tristemente perceber que a memória nos prega peças – porque, infelizmente, esquecemos das coisas, e o que nos sobra é apenas uma bruma e que, no fim das contas, nos temos ouro em pó nas mãos.
2.10.07
Protesto!
Panis Et Circenses
Eu me pergunto, atualmente, se realmente pode ser definido como autenticidade, a aceitação do passado como veículo para o presente - talvez nem veículo, mas razão pela qual as bifurcações eram como elas se davam. Quer dizer: antes eu cria que se envergonhar do passado era admitir que o presente não é apropriado, já que, adiante, envergonhar-se-á do que, hoje, é tão importante.
Por este motivo eu não sei se me sinto pior por não ter sido convidado para estes jantares ou se por esposar o motivo. No entanto, hoje em dia, no fim das contas, nem as pessoas da sala de jantar, nem o motivo e nem mesmo os jantares estão mais na minha vida, e eu me pergunto: em quando eu me envergonharei desta exata reflexão?
P.S.: Não era isso que eu ia escrever hoje...
29.9.07
Ódio Analítico (ou) Alma Silenciosa
Cheguei a achar que havia perdido a minha voz, mas não. Ela está aqui sim, mesmo que mais fraca. Eu me alimento de observação, e por isso escrevo somente sobre o que eu vejo – mesmo que escreva sobre a parte invisível do que eu vejo. Acontece que eu não gosto do que vejo ultimamente. As mudanças acontecem lenta e dolorosamente. Tão dolorosamente que eu preferi me calar em vez de encarar os fatos e aceitar que tudo muda – e nem sempre pra melhor.
Nunca me senti tão triste em toda a minha vida. A Europa é uma das grandes decepções: achei que a Europa fosse um poço de cultura, e que as pessoas se banhassem nesse poço, mas não. Em vez de cultura eu me deparei com limitação e ostracismo. Orgulho e crueldade. As pessoas mudam quando vêm pra a Europa. Eu mesmo tenho que decidir se mudo ou não, na Europa. Foi aqui que eu entendi o que é o ódio e o que é o racismo. Também entendi o que é cultura, mas foi uma descoberta tão solitária que ela foi inibida a ponto de eu duvidar que essas três figuras possam existir separadamente.
Sim, as pessoas mudam. Não sei se para se adaptarem ou se elas mudam somente porque deixam a Europa subir à cabeça. Pode ser, também, que, alguns, cansados de serem pisoteados, decidem pisar, também. Mas o que acontece com os que não são pisoteados? Será somente a influência da Europa? E eu? Serei outra vítima da Europa? Ou eu não quero admitir que eu sempre fui cruel e, por isso, não mudei aqui? Ou será que eu sou fraco demais para lutar como igual com/contra os pseudo-europeus?
No Brasil, eu, como já disse, achava que a Europa era um poço de cultura por causa dos europeus que nos visitavam e pelos mentirosos livros que eu lia – e então eu generalizei. Chegando aqui eu percebi que existem dois tipos de europeus: os que viajam para o exterior e os que não – e ponto final. Quanto aos que viajam, sim, eles são pessoas abertas e que se permitem à viagem que eu me permiti, e absorver, do ar, o que o sítio tem a oferecer; sobre os que não viajam – ouso dizer que sejam 99,5% dos europeus, na melhor das hipóteses, que eles são xenofóbicos, apenas. Não quero filosofar sobre quão cruel pode ser o europeu eremita – eu já estou por demais decepcionado, sem ter que analisar. Mas digo que o ódio (não mais tão) silencioso contra os Estados Unidos, por exemplo, tem – e muito, fundamento. Entendo o porquê dos que não têm, preferirem destruir dos que têm, em vez de se apropriarem do que quer que seja. E também entendo os homens-bomba!
Não, não pensem que eu esteja falando de finanças, moradia ou vida social – sim, sempre pode ficar melhor, mas é que há outros maiores problemas que estes, e que são tão dolorosos, frios e solitários quanto, mas que em vez de doerem na carne, doem na alma. E a alma não grita de dor – ela apenas emudece, pouco-a-pouco.
14.8.07
Devaneios (perdi a conta)
É o meu Cabernet falando – eu acho.
“Quando me pergunto
Se você existe mesmo, amor
Entro logo em órbita
No espaço de mim mesmo, amor
Será que por acaso
A flor sabe que é flor
E a estrela Vênus
Sabe ao menos
Porque brilha mais bonita, amor
O astronauta ao menos
Viu que a Terra é toda azul, amor
Isso é bom saber
Porque é bom morar no azul, amor
Mas você, sei lá
Você é uma mulher, sim
Você é linda porque é”
Faz tempos que eu queria postar esse poema do Vinicius. Aproveito o fato de estar “alto” pra fazê-lo. Pena eu ter limitado o meu blogger.... sinto tanto.
P.S.: Parabéns. Lu!
25.7.07
E depois?
pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho,
mas não vai só nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas não há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso. "
Mas e depois? Pra onde vão os amigos? Pra onde vão os amigos depois que cumprem sua missão na nossa vida?
Pergunta Retórica nº III
Será que a sensação de perder alguém é a mesma de quando se perde uma oportunidade?
Objetivo ou Obrigação?
As vezes penso que eu não posso seguir adiante se eu não fazer o que eu devo fazer. Essa sensação seria uma espécie de cardecismo em vida – sim, faz sentido, já que eu morro varias vezes em vida. E vendo Felicity eu me lembrei, com muita mágoa, que, pelos motivos errados, eu não fiz faculdade fora de casa, e que eu gostaria de ter estudado longe... foi quando o Izalty me perguntou: “e o que você está fazendo aqui na Inglaterra, Leo?”
Pode soar plano, mas parece que eu vim pra Inglaterra porque eu não fiz faculdade fora. Não sei que nome dar a essa sensação, mas parece que pode fazer parte do meu crescimento, ficar longe de casa. Digo “meu crescimento” porque outras pessoas precisam de outras coisas para valorizar a vida. Eu fico feliz por não ter que ser atropelado por um ônibus, mas me pergunto sempre: “o que eu vim fazer aqui?” E me pergunto, também: “o que mais que eu não fiz, ou deixei incompleto, e que eu terei que fazer? E como eu o farei?”
Afinal, pessoas que se encontram seguem um objetivo ou uma obrigação?
A Non Domino
Hoje eu fiquei em casa pensando.
Não que eu tenha tirado o dia pra pensar, mas com a Lu levando a chave de casa pro trabalho, ficou complicado sair. Foi então que me resignei e vivi prisioneiro de uma tarde helênica no meu quarto.
Sim. Quem me conhece sabe que eu adoro ficar olhando pro teto tendo pensamentos esparsos e tergiversando sobre esses mesmos pensamentos, fazendo de conta que eu poderia mudar a vida de alguém – incluindo a minha, com esses pensamentos. Acontece que eu estava preocupado uns dias atrás porque alguém me cobrou uma atualização aqui no blogger e eu não tinha nada pra dizer. Foi quando eu comecei a pensar em duas coisas: a) eu sempre escrevi para leitores hipotéticos, e nunca me preparei pra realidade; e b) a vida acaba quando não se a enxerga a todo instante.
Mas eu acabei não escrevendo logo em seguida porque eu preciso de silêncio pra refletir, e justamente silêncio é o que de mais escasso eu tenho hoje em dia. Sinto falta da minha privacidade. Talvez eu não produza com tanta intensidade porque eu não mais tenho privacidade, meu próprio espaço. E quando eu não penso, eu estou morto porque então não enxergo a vida em minha volta. É quando eu penso na morte. Penso na morte e em várias outras coisas, mas nunca no sentido prático. Como disse, sou completamente hipotético, e por isso, tímido ao extremo – sem coragem de admitir nem pra mim mesmos, os meus anseios. E por issopenso na morte: porque não tenho coragem de sair da hipótese. Sim, eu penso na morte, mas não como algo ruim. Tenho comigo que fatos que não podem ser evitados, não precisam ser sofridos – como a morte, por exemplo. Morte pra mim não significa dor, mas a falta dela. Vazio, pra mim, é sinônimo de morte. E estou morto quando eu penso simples, apesar de somente notar a minha morte em estagio avançado de putrefação. Feliz (ou infelizmente), sou uma fênix, no fim das contas, e volto mais forte, mas sábio, da minha morte. Mas será que pensamos simples a partir do momento em que nos tornamos simples? Será por causa desta tal simplicidade que eu só escrevo memórias? De que seria, isso, sinal: de que eu me censuro ou de que eu não me aprazo?
16.7.07
Viagem à Springfield
12.7.07
Precious Things
No último dia três de julho, eu e o Izalty fomos assistir ao show da Tori Amos no Hamersmith Apollo, em Londres. Compramos os ingressos no dia 27 de fevereiro e mesmo assim os nossos lugares não eram os melhores – apesar de muito, muito bons! E pra melhorar, a Tori deu um presente pra gente quando ela errou a letra de Black Dove e improvisou lindamente uma musiquinha chamada Brain Fart, e emendou com Bliss – quando eu tive um ataque cardíaco...
Seguem fotos.
Eu e o Tino - sempre de olho fechado.
Falei que não estávamos no melhor dos lugares, mas imaginem que a câmera, por si só, já afasta um pouco a imagem....
Pois bem.. tá aí o improviso Black Dove/Brain Fart/Bliss.
Post validi scriptum:
Eu não tenho o habito de emendar meus escritos, mas desta vez faz muito, muito sentido acrescentar que, no caminho pro show da Tori, eu e o Izalty nos deparamos com umas figuras, dentro do metrô, tão, mas tão estranhas que ele disse: “Só podem ser fãs da Tori! Não tem outra explicação!”, e eu acrescentei: “É, são esquisitos mesmo, mas se você pensar bem, nós também estamos a caminho do show da Tori...” e só pra concluir; sim, os esquisitos estavam mesmo indo pro show da Tori - todos. E foi quando eu me senti dentro, dentro mesmo do clipe de Bliss.
Sim, amedronta, mas foi verdade...
25.6.07
O Quereres
Tem coisas que eu apenas quero. Mas têm outras que eu não apenas quero. Hoje, por exemplo, eu queria escrever, mas não sai nada, e pra não ficar muito direto, vou ficar por aqui. Não! Não vou ficar por aqui não! Vou me entregar: eu não sou sincero. Não sou sincero nem comigo. Eu não sou sincero principalmente por que tenho medo de gostar. Mas também tenho medo de me decepcionar comigo mesmo, por conseguir, também, as coisas que eu achei que queria. Tenho medo de descobrir que eu não as queria, e perder o meu refugio.
