A realidade é que cada pessoa vive num tempo diferente, segundos – até minutos, distantes uma da outra. Aconteceu isso comigo esses dias: eu tinha um compromisso às 16h00; mas no meu relógio já eram 16h05, no do meu pai ainda eram 16h01, a catedral marcava 16h03 e o elevador dizia que eram 16h04 – o relógio do carro marcava 15h01, e fui recebido com um sorriso de meia-boca e um abraço simultâneo à frase: “Pontualidade britânica!” E eu odeio quando não acompanham meu tempo, meu Deus! Pra mim é como ouvir quadros sendo aranhados o tempo todo, quando alguém não sabe o que eu já sei. Pra mim, eu sou sempre pontual... chego sempre na hora em que eu devo chegar – quando não desisto de ir, na metade do caminho. Meu intervalo de sincronia é o meu próprio ponto de referência. E por que essa preocupação com o meu êxodo pessoal? Tem sempre alguém ou alguma coisa indo e vindo que eu posso me dar ao luxo de praticar estática de vez em quando – brincar de faquir!
22.12.06
18.12.06
GPS!
9.12.06
ASSOMBRADO!
Na madrugada, as já vastas ruas de Governador Valadares ficam ainda mais largas quando cobertas com a luz laranja das lâmpadas de mercúrio. É solitário sim, mas não dói; eu até gosto das lâmpadas de mercúrio porque elas não são tão explicitamente brancas. As lâmpadas de mercúrio desnudam a verdade, mas dão um quê de mistério e charme a ela. ...e é assim que eu gosto da verdade. E como eu dizia, as ruas vazias madrugada afora desenham sombras e eu fico brincando de adivinhar o que elas querem ser. Tenho pena dos paralelepípedos que queriam ser postes, ou do asfalto que queria ser morada. Pobres dos assombrados, porque eles não têm imaginação para sonhar.
Eu não olho para a minha sombra desde... eu não me lembro quando foi a última vez que eu olhei pra minha sombra! Estou pasmo! Tentei olhar para ela agora, mas fiquei com medo! Foi o medo puro. E esse medo me fez entender o que é medo, meu Deus! É o medo da verdade – o arquétipo do medo, meu Deus! Medo é negação, é preguiça. Medo é uma forma de recusar a verdade! Insisti: não queria fugir da verdade (ou do que eu acho que seja verdade) mas desisti rapidamente porque eu comecei a devagar e a pensar na forma com que a minha sombra queria parecer hoje. Foi aí que me espantei de surpresa: eu não sei com o que a minha sombra se parece hoje; e de tão misteriosa, ela não me dá pistas. Estou pasmo com a nossa displicência – minha e de minha sombra. Afinal, quem deixou de procurar quem? Tentei olhar de relance, mas a sombra se escondeu por detrás de outra sombra... mas tive certeza de que ela está viva porque eu acenei e ela acenou de volta. Estava ela realmente ali o tempo todo ou será que ela realmente só me procura quando eu estou diante da luz laranja? Quem é a minha sombra? Meu Deus, só agora a cidade me conta seus segredos. Somente agora que eu não mais vivo aqui e que por isso, não sou mais ameaça familiar. Não sou mais um perigo latente – alguém que pode gritar a qualquer momento e denunciar a real intenção dos objetos que as pessoas insistem em chamar de inanimados... Que lindo, meu Deus: essa é a minha vida sem mim! Num universo paralelo eu não fui, e exatamente desse jeito este “eu” está. A vida segue adiante... e sem mim! Mas será que ele tem consciência disso?
Na noite passada quando eu desliguei o carro e olhei pra minha casa, eu sorri. E ela sorriu de volta – pro meu espanto! Ela sorriu de volta porque ela não é mais minha – e ela sabia que eu já percebia isso! Minha casa também se mostrou pra mim e quis que eu a conhecesse por inteiro. Ela não tinha mais medo de mim e queria me falar tudo... absolutamente tudo, como quem está prestes a morrer. E nessa ânsia de quem ia morrer eu fiz um retrato da minha casa que é assim: Minha casa tem cheiro de não sei o que, mas é esse não sei o que me intriga: é cheiro de antítese e de contradição. E olhando para essa fotografia eu senti balaústres. Balaústres de noite, com a luz da lua refletindo no cinza dos contornos – teria eu certeza de que não seria outro poste? Não sei, mas sei que eram brilhantes olhos úmidos... eu podia sentir o sal desses olhos, meu Deus! Daí o portão rangeu e eu subi pelos degraus de ardósia porcamente recortados, sem me apoiar no corrimão. Abri a porta. Foi aí que eu senti o cheiro da minha casa, seu buquê – sua real identidade... cheiro de 20 anos, cheiro de saudade. O silêncio nessa casa é pulsante como um coração sadio – por isso a casa é morna. Eu me perco em casa! Por conta dessa fotografia eu percebi o jogo confuso de portas na casa... Que acessibilidade! Será por causa das portas que a casa é tão acolhedora? As portas são a continuidade, meu Deus! As portas são a anti-rotina! Estou realmente intrigado: vivi vinte anos da minha vida nesta casa e percebi que não sei quantas placas de ardósia temos no chão! Estou boquiaberto: a casa é viva! Ela é viva e fala comigo...e eu entendo! Que maravilhosa simbiose, meu Deus! Estamos todos vivos: eu, você e a casa. Sim, porque alma existe independente de alguém lá a colocar. A alma escolhe o corpo. E agora eu quero a alma de cada paralelepípedo da cidade. (Quero mesmo?)
Eu vejo tudo de um ângulo diferente agora – está tudo transversal, meu Deus! O sentido de tudo me escapa depois de alguns segundos e eu fico com essa cara abobada de quem sabe, mas não pode falar. Cara de segredo! Essa repentina crise de sinceridade da cidade me fez perceber que, apesar de a mesma, ela não é mais minha. Sim, porque ela me revelou seu segredo, meu Deus! Nela estão as mesmas pessoas com os mesmos problemas. Até eu descobri o meu mesmo aqui na cidade e – pasmo, me acostumei. Eu me acostumei, mas não quero a facilidade de me repetir. Meu Deus, como é fácil me repetir! Digo, eu me repito todos os dias, mas tem algo de sórdido nessa repetição... e eu me sinto sujo. Excitantemente sujo, quer dizer. Culpa... a culpa é como um vinho seco... seco e tinto... que me enche a boca docemente, mas se revela forte na língua e desce esôfago abaixo deixando o rastro do calor. Com ele eu viajo dimensões afora, infinitamente: vivo vidas, tenho idéias, arquiteto planos, embebedo-me de possibilidades... e gozo palavras!
3.12.06
It's an illusion - I dont't care!
Passei a observá-lo melhor e notei as tatoos em ambos os braços, e por causa de uma delas, percebi que também era fã da Björk e que eu poderia puxar assunto com ele, porque, além de tudo, iria no mesmo vôo para o Brasil. Eram tantas coincidências que fui tomado por um sentimento de patriotismo tão forte, um carinho, uma carência, uma vontade de contar minha vida e de ouvir a vida dele também. Queria saber o que ele fazia ali e preparei-me psicologicamente pra conversar. Às vezes a gente se entreolhava, mas a impressão que eu tinha é a de que ele não estava aberto pra compartilhar qualquer coisa. Seria muito fácil: era só perguntar se ele gostava de Madonna e provavelmente um átimo de comunicação poderia ser fiado. Cheguei a abrir a boca e a virar o rosto em sua direção, mas pensei que, em vez de começar uma conversa, a frase poderia ficar suspensa por vários motivos – entre eles o som alto poderia não permitir que eu fosse ouvido, ou, na pior das hipóteses, ele poderia dizer sim e ficar por isso mesmo.... e apenas nisso! Olhava para as pessoas do lado e via que cada uma se mantinha no mesmo anonimato latente, como quem estivesse meio louco pra ser interpelado por um do rebanho, e meio repudiando a volta para ele: era a dicotomia na sua forma mais pura! Não tive coragem de perguntar sequer se ele curtia Madonna, mas ainda não tinha desistido de iniciar uma conversa: liguei o meu MP3 Player e coloquei a Confessions Tour pra ver se fazia o mesmo efeito, mas não deu. Enquanto me perguntava o porquê de não simplesmente falar com ele naturalmente, como se fosse algo completamente impessoal, lembrei que eu era tímido. Engraçado, mas eu tinha me esquecido que era tímido! "Meu Deus, eu sou tímido ou eu fico tímido com a possibilidade de voltar prá onde eu vim?" Fiquei besta porque eu não agia nada timidamente na Europa. Por que será? Tem algo a ver com o fato de eu estar sozinho? Com o fato de lá eu depender só de im? Será que ocomodismo me deixa tímido? Ou tenho vergonha de ser acomodado? Sim... a lembrança do meu comodismo me tomava como toma o calafrio da pressão baixando. Tomei novo fôlego e voltei a pensar profundamente - o que significa não pensar em nada muito específico... Fiquei tão intrigado com a (re)descoberta da minha timidez que acabei desistindo de tentar me envolver com o rebanho e me resignei ouvindo Madonna, que me perguntava: “do you belive that I can make you feel better?” Baixei a cabeça e falei em voz alta, blançando a cabeça: “Não!” Afinal de contas, em que mais as nossas vidas poderiam ser intercaladas?
28.11.06
Brasil!
Passando Roupas...
Passava as roupas com a mesma ânsia do primeiro beijo – não o primeiro beijo do que eu posso chamar de maturidade (amplo isso, não?), mas o primeiro beijo mesmo, aquele que é apenas copiado das novelas ou dos casais ao redor: eu tinha 5 anos. Enquanto passava as mangas da minha camisa salmão, lembrei da Solange, que era a minha vizinha na época, e, com quem, claro, eu brincava sempre junto. Lembro do seu sorriso maroto e banguela, típico das crianças da nossa idade, mas o dela era quase que uma tatuagem: não saia nunca do rosto e chegava até a comprometer a compreensao da sua fala – acho que na dúvida entre sorrir e falar, ela fazia os dois. Ela tinha cabelos castanhos e encaracolados. Sempre usava regatas. Penso que tinha algumas sardas também. Meu primeiro beijo foi com a Solange. Lembro do seu irmão – nem sei se mais velho, ou se mais novo, trazendo sua mamadeira – sempre pela metade, com leite e café para brincar junto de nós dois. Passava o colarinho e de repente eu e Solange éramos os pais do seu irmão, que já vinha com mamadeira e tudo! Apenas nossos lábios se tocavam – se tínhamos noção da língua dentro da boca não sabiamos mesmo, mas de qualquer forma seria anti-higiênico para os nossos padrões infantis de perversidade, entao éramos apenas pais ingênuos como crianças que éramos. Até que cheguei ao bolso da camisa: acho tão complicado passar as costas do bolso! É quando a brincadeira deixa de ser prazeroza e a tensão por fazer um bom trabalho toma conta de mim, perfeccionista que sou. Solange e eu nos beijamos umas vezes, não sei quantas, até que meu pai desaterrou o nosso quintal e com ele foram-se a goiabeira e o balanço... nunca mais sentiria aquele frio, ou borboletas, se preferir, no estômago. As mudinhas verdes de alface sendo consumidas pela terra preta me cortavam o coração, talvez porque não era eu quem as destruia... ao menos eu tinha prazer em roubar as sementes de gerânio da minha mãe, jogá-las sobre a terra preta em volta da goiabeira com o balanço e depois pisá-los quando despontavam do chão. Era medo da minha mãe, eu sei. Medo de mostar do que eu era capaz, de desabrochar... mas era também o simples prazer de fazer as coisas escondido e não ser pego. A terra era toda jogada fora e eu não mais me interessava pela Solange – era como se os gerânios florescessem no na minha boca. Sempre que termino de passar a roupa eu a olho novamente para ver se um vinco me escapou, ou se algo doubrou-se depois que foi pro cabide, mas se acho, finjo que não vejo - perco o interesse depois de feito. Lembro-me de atirar lascas de terra compacta na direção da Solange e de seu irmão, mas estaria eu afastando-os porque tinha medo de que gostassem mais do balanço do que de mim? Será que desde girino eu já tinha medo de não ser suficiente?
Semente
15.11.06
As Aspas
Eu falo de aspas como falo de deuses. Deuses gregos, com seus humores, seus gostos, o deleite pelo xadrez – os bons e velhos arquétipos humanos dispostos como em um bufet; mas também falo deles a esmo, como fala da visão um cego que nascera cego: eu apenas os idolatro. Eu os idolatro como à relíquias pasteurizadas que me chegam como são, e por pura preguiça de pensar no que me atrai nessas aspas, eu finjo que não me interessam como serão. Em fato, tudo que quero delas é que me sirvam quando eu quiser fugir de mim. Neste sentido eu creio que elas apenas desempenham uma fugaz função que delas e apenas delas dependa a sujeição da sua fugacidade. E por causa das aspas, hoje eu percebo que eu sinto falta de mitos. Não que eu não me satisfaça com os que eu acompanho – ou cultuo, sei lá... mas sinto pena por não acrescer ao meu panteão, novos mitos a serem repousados nos recém-abertos altares do meu confuso relicário.
A fugacidade se dá num átimo que não mais é apenas a velocidade da luz: chamo-a agora, de produtos-holofote. Explico: Tantos seres envoltos em aspas povoam os meios de comunicação que só consigo pensar que estamos no auge da colheita de pseudo-artistas que não ficam tempo suficiente para aquecer o canhão que conduz o holofote que os ilumina – ou, mais especificamente, dois produtos-holofote. Cantores de uma música só, atores de uma cena só, amantes de um beijo só... a banalização do secreto me soa como se tudo fosse natural demais, fácil demais. E por conta disso, perdoa-se demais, come-se demais, erra-se demais; chora-se demais, reergue-se demais... e tudo pelo suposto direito de criar uma experiência de vida que deveria vir em troca da satisfação de uma profusão de egos que exigem que o tempo mundano seja o tempo dos seus próprios relógios biológicos! Por este excesso de charme e, claro, pelo meu próprio processo parcial de inquisição eu culpo a Internet – sim, faço uso da minha licença para julgar, mesmo não sendo o Deus. Porque também se banalizou o julgamento feito pelas pessoas! E pronto. Não me neutralizo ao errar dizendo que erra-se demais, claro: seria muito fácil. Ou dificil, não sei... escrevo tão indiferentemente que nem sinto prazer ou culpa: sou neutro quando digo que culpo a Internet pela democratização do ordinário e pelos produtos-holofote quem nem chegam a empoirar no meu relicário. E me lembro que temos tanta gente ruim, ou, na melhor das hipóteses, mediana, que padronizou-se a espera pelo normal. E o normal não é ruim, mas é comum – por isso não temos mais mitos, em vez de aspas! Novas aspas vêm e vão com tanta rapidez que eu não tenho mais tempo de me apegar a elas; novos atores aparecem nos filmes que eu não posso ver, e deles não saem... e entao fico sem vê-los! Novos cantantes surgem do nada e para o nada voltam sem eu saber sequer seus nomes! Há tantos blogges como este na Internet que eu não posso ser justo dizendo que sejam bons ou ruins, porque o próximo sempre pode me seduzir mais que o anterior... Sinto falta de laços! Sinto falta de mitos! Sinto falta de convexão e reconvexão. E o meu egoísmo insiste em dizer que, porque assim eu quero, que a Internet seja culpada pela difusão e pela dinamicidade da divulgação das informações, que, por conseqüência, da apresentação de mais opções e liberdade de escolha. Por um lado isso tudo é bom, mas o ruim disso tudo é que os mediocres parecem conhecer mais de informática, e por isso mostram a sua ordinariedade para o universo, infectando o menu com tantas aspas... E então eu me pergunto: A Internet matou os mitos ou vulgarizou o glamour? Ou eu que estou ficando velho?
11.11.06
Óbvio
Sentia um amor tão grande, tão intenso, tão, que eu queria te bater, queria te machucar até sangrar, só para depois ter o prazer de cuidar, de acariciar, de prover, de tomar conta, enfim. Mas também era o mesmo amor que envergonhava, que, de volta ao passado, revelava toda a amaturice do antes, do que não me orgulha, do que já foi, mas que não deixa o meu senso crítico caminhar
Nos momentos em que eu não estava contigo sentia crescer dentro de mim um ódio que me transbordava e assumia proporções burlescas, infectando o ambiente como uma doença virulenta e mortal, porque não admitia que houvesse para você, uma vida da qual eu não participasse. Eu me odiava por não ser infinitamente provedor e suficiente... e odiava as pessoas, tanto quanto odiava os momentos nos quais eu não estava com você. Na verdade eu também odeio esse texto porque nele eu revelo que te amo. Eu odeio lembrar que eu não podia acordar do seu lado; eu odeio lembrar que não te falei que eu ia embora; eu odeio ter passado a carta por baixo da porta; eu odeio não ter estado ao seu lado quando você morreu; eu odeio não ter te dado a mão quando rodamos na estrada; eu odeio ter jogado perfume no seu travesseiro; eu odeio ter te expulsado do quarto durante a noite; eu odeio não ter lhe dito tudo muito antes; eu odeio não ter ficado contigo quando você me defendeu; eu odeio ter ficado sem conversar com você; eu odeio não ter simplesmente trocado a lâmpada... – eu me odeio por ter feito você chorar.
8.11.06
Bocejo
Olhava para a mochila que continha o mais supremo dos prazeres, a maior das realizações, o meu objetivo transitório: minha identidade italiana. Eu me sentia um personagem de “A Felicidade Clandestina”, mas o meu êxtase não se contentaria em achar isso da felicidade; aliás, hoje é dia de conciliar tudo e todos... ouso convidar gregos e troianos, palestinos e judeus, apóstatas e fanáticos – todos esses para comemorarem comig, egoísta que hoje sou, a minha vitória: yes, cheers, thanx a lot!
Leonardo de Oliveira Cardoso é 7 – o filósofo, enquanto Leonardo Cardoso é 6 – a harmonia! Se eu fumasse cigarros, agora eu fumaria um maço... mas como não fumo, entrego-me aos prazeres dos industrializados e dos farmacêuticos – sem culpa nenhuma, como uma galinha poedeira! Acordei às 10h30 com sentimento de dever cumprido, quase que como uma canção de vitória, uma aleluia, um sorriso maroto e sem vergolha de falar alto com mau-halito e caminhar descalço pela casa, cheio de remela nos olhos... ah, a sensação de acordar e sentir uma leve ardência nos olhos enquanto os abria – pregados que estavam: os cílios e os olhos inteligados pela camada espessa e amarelo-esverdeada da remela seca. Um sorriso sem-vergonha estampado no rosto e o orgulho de dizer, como primeira frase do dia: the bitch is back!
Hoje eu sou tudo.... sou κενμαπδν, sou כהנמאפדנ, sou كهنمافدن, ԻԵԾԽԱՁԴԾ, КЄНМАПДН ou talvez Leonardo Cardoso - italo-brasileiro! Hoje eu não estou: eu sou. E não preciso de nenhuma corrente pra matar gente porque dentro de mim estamos todos acordados: somos so me, myself and I.
31.10.06
Amor ao Contrário!
Incrível como somos capazes de mudar, evoluir, perceber as coisas, mas logo quando cheguei a Roma, o Jim me disse que no dia em que o Coliseu cair, Roma cai.... e no dia em que Roma cair, o mundo se acabará. Não sei quem é o autor dessa frase, mas sou obrigado a concordar com ela e acrescentar que Roma é algo indescritível e completamente inexplicável – é para ser visto e venerado, apenas. Fotos não fazem jus à beleza e a tudo o que lá se encontra. Eu me reservo, inclusive, ao direito de guardar comigo as coisas que vi porque, de acordo com Madredeus, “quem contar um sonho que sonhou, não conta tudo o que encontrou: contar um sonho é proibido!” Sim, claro que eu estive muito bem acordado e que as diversas bolhas nos meus pobres pés são testemunhas dos dias adoráveis que passei por lá muito bem acompanhado. Na verdade, digo até que lá em cima eu estou muito bem cotado porque eu não sabia que eu merecia tanto... não mesmo!
Mas, no entanto, cada um tem seus motivos para gostar ou desgostar de algo... Dizem que gosto e nariz, cada um tem diferentes. Não digo que há pessoas que não apreciariam tudo o que se encontra apenas em Roma... na verdade eu duvido que exista alguém que não se maravilhe com a grandeza da cidade, ou com a capacidade humana estampada em cada um dos monumentos dali! O fato é que há pessoas que a veriam como um monumento à vaidade humana, outros, como eu, apenas se entregariam – e ponto final. Eu amei cada segundo que passei na cidade, mas o que mais me chamou atenção foram a Fontana di Trevi, o Panteão, a Cripta dos Monges Capuccini, o Forum Romano e claro, o Coliseu. (os nomes podem ser clicados)
Eu sei que é impossivel ir à Roma e deixar de visitar diversas das muitas Igrejas da cidade que é o coração do Catolicismo. Claro que eu fiquei extasiado com os locais que visitei e com as coisas que vi. Entre os momentos em que eu me sentia burro, eu ficava boquiaberto – sim, burro, porque tem tanto o que se saber sobre Roma... e saber sobre Roma é ter que conhecer a história do mundo! Eu senti algo ainda mais profundo que todo o êxtase histório e fático que eu poderia sonhar em sentir em Roma. Algo mais profundo, mais intenso ainda me aconteceu lá: aconteceu a conciliação da razão com a minha fé. Não falo de paz interior e nem de conversão, mas de sentido.... de repente, tudo fez sentido e muitas peças encontraram seus pares e o quebra-cabeças ficou mais organizado. Ok... confesso que eu encontrei muitas respostas para as quais eu ainda não tenho condiçao de formular as correspondentes perguntas, mas isso não faz com que a minha jornada mistico-intelectual fosse menos intensa. Na verdade, ainda estou em êxtase – meus pés não tocaram o chão desde que eu voltei – e não estou falando das bolhas!
Uma das coisas mais fantásticas que se pode perceber em Roma é o fato de que tudo é histórico, tudo tem valor cultural, tudo remete a um tempo em que eu, ao menos, imagino em que as coisas eram mágicas, quando a vida era mais mágica, enfim. Sim, sinto falta da mágica nos dias de hoje. Magia no olhar das pessoas, magia nas ações, no cotidiano. Essa mágica, no entanto, ainda existe, e diante da companhia certa, não importa onde se esteja, o que se faça, o que se diga: a mágica ressurge do nada. Alguns chamam essa mágica de conhecimento, outros de satisfação, outros de fé. Minha estada em Roma teve tudo isso! E eu não tenho condiçoes de descrever o que aconteceu por lá... somente os iniciados têm condição de saber o que aconteceu.
Acontece que eu estive diante de relíquias históricas e sagradas. Pode ter sido isso... Isso, por si só, ja seria suficiente pra fervilhar a mágica da qual estou falando. Acontece que eu não sei se mais históricas que sagradas ou mais sagradas do que históricas, mas o fato é que diante delas eu fui tocado diretamente no coração e senti-me lisonjeado pela oportunidade de poder abri-lo novamente, e decidir – de bom grado – que eu mais que apenas ouviria atentamente ao que meu anjo me dizia, mas que eu daria sentido a tudo aquilo. E de repente sorria: já era felicidade.
Meus dias em Roma me deram a oportunidade de ver relíquias as quais me deram a chance de me reconcilar – já disse... mas não disse que a porta que elas abriram – ou fecharam, não sei, mexeram com os alicerces do que eu acreditava ser tão concreto, mas tão concreto, que pensava que eram até irretocáveis, perenes, num sentido estrito e definitivo. Senti, de perto, o poder do tempo. E o tempo me mostrou que eram concretos sim, meus alicerces, mas que os mesmos não eram eram decididos como a flecha, mas acentuados como o gosto do tiramisù, ou leves como o ar, mas trêmulos como o topo da panacota... esses alicerces não eram mais lindos como o Panteão, sedutores como a Basílica de São Pedro, ou inebriantes como vinho: meus alicerces tinham o tamanho do amor.
O amor, em Latin, pode corresponder a varias coisas: ágape, eros, storge, pragma... eu fui tocado pelo amor quando eu coloquei os pés na primeira das Igrejas que eu visitei, e decobri que nela estariam os restos da manjedoura onde Jesus nasceu, ou quando n’outra se encontravam os crânios de São Pedro e de São Paulo, ou que numa praça, num obelisco, estariam lascas da cruz em que Jesus foi crucificado, ou quando apoteoticamente fui seduzido pela Basílica de São Pedro, e suas indescritíveis imagens. Eu via, cria... ou cria porque queria: a fé tem dessas coisas. Eu já tinha visto o Sudário em Turin, mas foi em Roma que eu entendi que o que é belo é verdadeiro.
Tive a impressão, por várias vezes, que eu estava velejando por mares agitados e perigosos dentro de mim mesmo a cada inspiração, a cada respiração... só tive paz quando passei a confiar na embarcação na qual eu iria me apoiar, uma linha de pensamento na qual as coisas todas fariam sentido. Sentido para mim, é claro, porque se eu revelasse o que é de mais intenso e interno em mim, não faria sentido, ou seria necessário, ouvir as batidas do meu coração. Sim, eu pensava comigo: pra que somar, se é possivel dividir? Era o mais doce dos meus cérberos, que a essa altura não passava de um filhotinho a procura de um dono. Eu fora domado!
E foi assim que eu reduzi milênios de civilização em dias de peregrinação intensa. Reduzi a história de um dos centros da humanidade à historia do meu encontro com o mais secreto de mim mesmo – que eu mantinha amordaçado e encarcerado na mais suja das celas do meu pseudo-inconsciente. Em Roma eu libertei-o. Libertei-o, e agora ela conhece o caminho da liberdade, e por isso, agora, pode ir e vir, ir e vir, ir e vir, ir e vir... e vai, sem medo das cicatrizes.
30.10.06
Fatias Finas de Verdade...
Eu também tenho meus momentos de inércia, em que eu me pego olhando pro teto e relembrando das coisas que já fiz na vida. Não, não tenho tanta experiencia assim... na verdade eu sou apenas um filhote de pombo que já perdeu um dos pés. Daqui a uns anos eu posso vir a dizer que não perdi um pé, mas que eu que não percebia direito o poder das minhas asas... até lá eu penso que me verei como eu me vejo há anos: um saudosista do futuro.
Correntes de Ar
Engraçado pensar que o trabalho é o período (des)necessário entre duas férias... este é o tempo em que eu fico fazendo companhia para as lembranças. Rio delas, choro com elas: elas me emocionam como no momento em que ainda eram neonatas, ou simplesmente verbos. Gosto das lembranças assim como eu gosto dos verbos... Sim, lembrar também é um verbo, mas diferente não na transitividade ou nas previsiveis conjugações, mas na possibilidade de serem refeitos, recriados, reciclados, enfim, para que a palavra que deveria ser dita possa, então, ser dita, em vez de se calar, ou que o ato que não deveria ter sido praticado possa ficar no esquecimento, e tornar, com a possibilidade da ação ou da omissão, perfeita, a lembrança. Assim eu me lembro do que deveria ser, perfeito, e não sinto o arrepio que segue do arrependimento sinestésico quando lembro ser imperfeito.
Conciliação
Morre-se com o impossível, vive-se com a possibilidade...
Odeia-se a passividade, detesta-se a cólera: vive-se filosofando!
Obedecem-se aos sentidos: todos os sete. Respeita-os.
Dou-se o direito de me espantar com o óbvio e com o milenar.
Comunga-se com o cheiro do mel e figo, com o gosto da vitela da vó;
Urgencia-se a calma assim como evita-se a perfeição – ou finge-se, quem sabe?
Exercita-se com a mente, brinca-se com o corpo.
Ri-se do cansaço, da piada, do sorriso tímido, enfim...
Batiza-se também com água das conchas e dos aquedutos;
Expia-se com bolhas e saudades, com o frio da surda noite;
Evangeliza-se com sabedoria extraída tanto dos livros como dos tempos!
Babel faz sentido porque as línguas se reconhecem.
What’s simple is true....
A união do profano e do religioso se mostra uma verdade só:
Apolo e Dionísio,
As Madonnas,
Gin e tônica...
20.10.06
Why do We NEED Superman?
Certo… não é novidade – não fui eu quem primeiro fez tal pergunta, sequer é novidade esta analogia, mas, afinal, quem precisa do Superman? Quer dizer, será que não somos suficientes e precisamos acreditar em algo maior, algo que satisfaça a nossa necessidade de sermos protegidos? Precisamos realmente de um ser sobre-humano dotado de super poderes e de uma bondade tão docente que cansa o ego, para nos salvar dos problemas advindos do resultado do nosso livre-arbítrio? Não sei também apontar os motivos pelos quais sentimo-nos seduzidos pela necessidade de naão parecermos sós, mas o fato é que, em algum momento, sentimo-nos e precisamos não de ajuda, mas de puro exemplo - desde que não seja do rebanho! Também não sei o porquê de necessitarmos de uma razão para a qual fomos criados, e/ou por que nossa raça se tornou o topo da cadeia alimentar do nosso planeta. Eu creio! Creio em tudo desde os meus pés, até o que me escapa - por isso serei salvo? Salvação, proteção.. .qual a diferneça, no fim das contas? Eu protejo minha família, provido-a, mas o caos me escapa; e continuaria escapando se minha família se ocupasse, mesmo que fosse, única e exclusivamente, da minha sobrevivência – assim também seria se criássemos uma corrente perfeitamente organizada e funcional em que um cuidaria de quem estivesse a sua frente. Não que eu seja niilista – muito pelo contrário – eu creio até demais no Super-homem: eu gosto de martelar totens sim senhores, mas não me aprazo em ser só. Na verdade o impulso do rebanho me faz conversar com o superman, ou mesmo com o seu pai, em Kripton, de vez
9.10.06
Um Objetivo Perene!
3.10.06
Velha Infância
Lembrei da época do meu Nintendo [que Deus o tenha]...
Vale a pena ver até o final.
Quem jogou Super Mario Bros vai ficar de bobs!
Eu não sou suficiente!
Laços de Família
Tocava Marisa Monte naquela noite de frio típico,
A Arca da Aliaça fora consagrada: nada parecia poder desatar os nós daqueles laços de família. Marisa ainda cantava, mas o cenário agora era a cozinha, conde mesmos pilares equilibravam suavemente, em volta da mesa, uma felicidade efêmera, estontiante como o cheiro da costela cozida. O bezerro fora sacrificado em prol da glória daquela família, que era a mesma de sempre, consumando à mesa, em santa ceia, aquela paz que, de tão inesperada, chegava a doer. Doer de felicidade. E como num milagre, cada membro daquela família repetia, ritualisticamente, cada passo de todos os dia, mas hoje, especialmente, inspirados pelo regozijo da montagem do beliche, nada era esdruchulo, então o filho comia manejando os talheres com calma e cuidado, levando a carne suavemente ate sua boca, mordendo a ponta do garfo e lambendo os lábios enquanto preparava outra e outra e outra garfada; a filha segurava os ossos da costela com as maos e mordia fortemente a carne suculenta, ininterruptamente, até que o caldo grosso escorresse pelos cantos da boca; o pai orgulhoso, de peito estufado, sorvendo a cerveja e comendo o jantar que a sua esposa, ha quase vinte e cinco anos, sagradamente cozinhava, na sua funçao prazerosa de prover, dava graças por todos estarem juntos e compartilhando.
1.10.06
Bliss
Depois do vilipêndio, ficaram os óculos grossos sobre um cesto de linhas e agulhas, dois travesseiros e um terço. As palmas abençoadas em procissão também ficaram, mas nenhuma dessas sobreviverá a uma nova peneiração, agora promovida pelos posseiros, também conhecidos como, simplesmente, recém-promovidos a condôminos. As palmas sairão das paredes, o crucifixo foi para o lixo, e os óculos nao terão um parente que os guardará como relíquia sentimental, porque não tinha valor para o espólio. Toda uma vida reduzida a marcas de quadros na parede, e a um amontoado de pregos retirados dela, mas que agora jazem no chão – como a velha senhora recém-promovida à vida eterna. Deus, que o Senior me permita ter por perto, uma mão amiga segurando a minha na hora de eu partir. Amém.
Como era?
Depois de hibernar, escrevo do apartamento do tio Geraldo, em Torino, sobre o show da Marisa Monte em Milano e tento exaustivamente lembrar de uma palavra. Não é simplesmente uma palavra – é um adjetivo. Houve um momento em que, quebrando um silêncio teatral, um fã chama a Marisa de alguma coisa forte, mas que não é empregada freqüentemente, então toda a gente achou graça e a Marisa também deu sua repentina, uníssona e grave risadinha. Mas eu não me lembro agora da palavra... como era?
Como parte dos preparativos pro show eu procurava pelo tracking list, a fim de colocar as músicas do repertório no meu MP3 Player, mas não achava nada. Lembro-me, sim, de ter visto a lista das músicas numa comunidade da Marisa no Orkut, mas não mais encontrei. Tudo o que eu sabia do tracking list era que reunia músicas antigas como “Maria de Verdade”, “Alta Noite” e “Segue o Seco”, mas focando o espetáculo no Tribalistas e mais incisivamente nos dois novos e simultaneos albuns: “Universo ao Meu Redor” e “Infinito Particular”, numa tour chamada “Infinito Particular”. Enfim: cheguei sem saber o que esperar do tracking list.
O Teatro Esmeraldo – apesar de vermelho, era bem pequeno e, por isto, achei que o espetáculo seria reduzido a um pocket, que, aliado ao fato de eu não saber quase nada sobre as músicas do show, fez com que a minha surpresa fosse mais saborosa a cada canção. A cada acorde de uma nova música eu apertava a perna esquerda do Juninho – sempre ao meu lado, e me derretia ao dizer o nome dela, até então, apenas suposta para mim, mas completamente desconhecida para ele, cru que era
Eu fui pro show com essa música na cabeça, então, era de se esperar que fosse, no geral, minha favorita da noite: "Meu Canário".
Como seguidor da Marisa, claro que eu digo que senti falta de umas 70 músicas, pelo menos – mas não ousava tirar uma que fosse. Sim, fiquei surpreso quando ela cantou “Pernambucobucolismo”, mas como era de se esperar, até as descaminahdas se tornam preciosasas quando as ouvimos ao vivo. Tive síncopes psicóticas quando ela cantou “Dança da Solidão”, “Não Vá Embora”, “Carnalismo”. O meu momento favorito foi em “Meu Canário”, que, além de ser a minha atual favorita música, contou com a participação de uma gaiola ecologicamente correta: uma graça! Também foi uma delícia ouvir os italianos (maioria no show, diga-se de passagem), com seu sotaque característico, ecoarem na saída do espetáculo, os versos: “Tô te querendo...”
Sei que depois deste show posso me dizer, em partes, realizado, porque estive na presença da santíssima trindade: Madonna, Bethânia e Marisa. Preferi não tentar foto com a Marisa, depois do show, como estratégia para manter o mito. Claro que não seria tão fácil conseguir fazer a foto – penso, inclusive, que foi providencial o último trem para Torino, antes das 5h30 da manhã, ser às 0h30, e termos que correr para apanhá-lo. E não seria apenas a foto.... seria polido dizer alguma coisa para ela! Mas o que eu diria para a Marisa se estivesse diante dela? Apesar de... como era mesmo? Do que foi que o cara a chamou? Sim! Isso! Ele gritou: “absurda!”, e todos riram. Mas ao contrário do que disse o cara na platéia, eu não diria que ela era absurda – não diante dela.... diante dela eu teria que escolher melhor as palavras, e além do mais, eu estava preparado psicologicamente pra vê-la cantando, apenas. Eu não saberia o que dizer para a Marisa Monte, que não é apenas uma cantorinha qualquer... ela equivale ao Espírito Santo, na minha trindade! Não é medo de sofrer – que isso fique muito claro! O problema é que eu teria que ficar outras horas pensando no adjetivo certo.... qual seria mesmo?
Humor
; um, nu, só, dor, fim.
Morto, ímpar, ilha feio, órfão, mudo, seco, qualquer, nada.
Esquerdo, errado, solteiro, saída, mórbido, vazio.
Monossílado, estrangeiro, dissociado, imperfeito, incompleto:
Sorte rima com morte!
26.9.06
Pergunta Retórica #1.
19.9.06
It’s Just Elegant! (ou “Sofrendo com Legenda”)
Universo Particular!
O Filatelista (ou “O Lavrador”)
Tendo certeza de soar muito irônico [nem tento fingir mais que não era a minha intenção, sabia?], se somente Deus e Jesus Cristo deveriam saber o dia certo, qualquer pseudo-premonição feita por qualquer mortal, em dias alternados e consecutivos bastariam para adiar o fim dos tempos, ja que outro ser, além dos que deveriam saber, o saberia... isto estragaria os planos e, por si só, destruiria outro dogma. Alguém me disse também que era prevista a volta de Jesus num ano preciso do século XIX, o qual não me lembro, mas que, segundo a lenda, não aconteceu, mas usaram a mesma data para explicar um evento metafísico, incapaz, portanto, de ser provado, mas que satisfazia o rebanho e não contradizia os dogmas. Conveniente, não? Além do mais, o Concílio de Nicéia fez tranto estardalhaço do trabalho de Jesus contado séculos depois [quem conta um conto, aumenta um ponto, não é verdade?] que se a ressurreição do Deus não fosse precedida de um alinhamento perfeito de todos os planetas [e os canditatos a] – do Sol até Sedna, não teria graça, ou não seria suficiente para acalmar os ânimos... além do mais, tranformar água em vinho, no nosso mundo capitalista, não seria grande coisa, até porque, já que se pasteuriza leite azedo até cinco vezes e coloca-se à venda para consumo, nos dias de hoje, Jesus ressuscitado teria que ser um alquimista que transformasse lixo nuclear em ouro! Ou em dólares? Preciso urgentemente de um economista aqui e agora!
Eu creio que o fim dos tempos está proximo sim, mas dos tempos da atual potencia capitalista do mundo – os E.U.A., como aconteceu com a Grécia, por exemplo, ou a U.R.S.S., e/ou do Catolicismo, como aconteceu com o politeísmo grego: eis o fim do tempos no qual eu acredito... uma potência falida cendendo lugar à outra! Agora, não creio no fim do Catolicismo, como creio no fim dos E.U.A como superpotência, mas no gradual e inevitável processo de perda de influência e conseqüente discrição do seu poder. O vô João Paulo II pediu perdão pelos crimes cometidos pela Igreja – acho que o simples reconhecimento das intenções perniciosas dos velhos tempos ou da má admistração é sificiente para esboçar um sorriso meia-boca, mas não é suficiente para perdoar. Bem, não é sobre isso que eu venho dizer aqui nesse Post, então que remoasse essa mágoa numa outra oportunidade. Mas temos que reconhecer que o catolicismo simplificou a fé, tornando-a mais acessível [Mais uma vez não estou analisando os motivos, mas as conseqüências]. Palmas para os homens que acreditam que Deus criou a religião! Palmas para os homens que acreditam que religião salva! Palmas para o catolicismo e seus 2006 anos de cristianismo pregado! Palmas por isso tudo, mas principalmente por dar esperança àqueles que somente sabem procurar, procurar, por dar esperança àqueles que, por necessidade alheia, precisam se manter na base da piramide social, sustentando as camadas superiores, dando sempre, graças à Deus! Estes sim, precisam de organizaçao da sua fé, mas não porque não têm capacidade, mas porque há interesse de que se mantenham no rebanho!
Sabemos que nada se cria, mas se transforma, e a nova era na qual tanto falam os materialistas neuróticos, entusiastas do fim do mundo, que terão, em troca de subserviência e lavagem cerebral comuntária tantas vezes quanto necessárias, por semana, terão não sei quantas virgens esperando por eles ou um paraíso branco e enuviado para alguns, campos verdejantes e água corrente para outros, está para chegar. Alguns entusiastas do fim do mundo ainda acreditam na imagem medieval de inferno e danação eterna, mas outros também crêem em céus e infernos particulares... outros acreditam em dimensões e na evolução da alma para realizaçao de carmas.. o fato é que toda realidade é inventada, e o que a torna real é a quantidade de pessoas que nela acreditam: basta que umas poucas plantem sementes e exponencialmente, sejam colhidas as suas ideias. O resto é metafisica e teodiceia...


















