31.10.06

Amor ao Contrário!

Ja fazia um tempo que eu queria falar sobre Palíndromos. Palíndromo é o nome do fenômeno em que as coisas, ao contrário, são elas mesmas. A maior delas, em Português, é a sentença: “Socorram-me subi no onibus em Marrocos”. Outros palíndromos simpáticos são: radar, mussum, ovo... Amor, ao contrário, não é amor, mas Roma. Não que Roma seja odiosa ou que não se possa amar em Roma – muitíssimo pelo contrário! No entanto, achei simpático lembrar das palíndromos antes de abrir o tópico.

Incrível como somos capazes de mudar, evoluir, perceber as coisas, mas logo quando cheguei a Roma, o Jim me disse que no dia em que o Coliseu cair, Roma cai.... e no dia em que Roma cair, o mundo se acabará. Não sei quem é o autor dessa frase, mas sou obrigado a concordar com ela e acrescentar que Roma é algo indescritível e completamente inexplicável – é para ser visto e venerado, apenas. Fotos não fazem jus à beleza e a tudo o que lá se encontra. Eu me reservo, inclusive, ao direito de guardar comigo as coisas que vi porque, de acordo com Madredeus, “quem contar um sonho que sonhou, não conta tudo o que encontrou: contar um sonho é proibido!” Sim, claro que eu estive muito bem acordado e que as diversas bolhas nos meus pobres pés são testemunhas dos dias adoráveis que passei por lá muito bem acompanhado. Na verdade, digo até que lá em cima eu estou muito bem cotado porque eu não sabia que eu merecia tanto... não mesmo!

Mas, no entanto, cada um tem seus motivos para gostar ou desgostar de algo... Dizem que gosto e nariz, cada um tem diferentes. Não digo que há pessoas que não apreciariam tudo o que se encontra apenas em Roma... na verdade eu duvido que exista alguém que não se maravilhe com a grandeza da cidade, ou com a capacidade humana estampada em cada um dos monumentos dali! O fato é que há pessoas que a veriam como um monumento à vaidade humana, outros, como eu, apenas se entregariam – e ponto final. Eu amei cada segundo que passei na cidade, mas o que mais me chamou atenção foram a Fontana di Trevi, o Panteão, a Cripta dos Monges Capuccini, o Forum Romano e claro, o Coliseu. (os nomes podem ser clicados)




Eu sei que é impossivel ir à Roma e deixar de visitar diversas das muitas Igrejas da cidade que é o coração do Catolicismo. Claro que eu fiquei extasiado com os locais que visitei e com as coisas que vi. Entre os momentos em que eu me sentia burro, eu ficava boquiaberto – sim, burro, porque tem tanto o que se saber sobre Roma... e saber sobre Roma é ter que conhecer a história do mundo! Eu senti algo ainda mais profundo que todo o êxtase histório e fático que eu poderia sonhar em sentir em Roma. Algo mais profundo, mais intenso ainda me aconteceu lá: aconteceu a conciliação da razão com a minha fé. Não falo de paz interior e nem de conversão, mas de sentido.... de repente, tudo fez sentido e muitas peças encontraram seus pares e o quebra-cabeças ficou mais organizado. Ok... confesso que eu encontrei muitas respostas para as quais eu ainda não tenho condiçao de formular as correspondentes perguntas, mas isso não faz com que a minha jornada mistico-intelectual fosse menos intensa. Na verdade, ainda estou em êxtase – meus pés não tocaram o chão desde que eu voltei – e não estou falando das bolhas!

Uma das coisas mais fantásticas que se pode perceber em Roma é o fato de que tudo é histórico, tudo tem valor cultural, tudo remete a um tempo em que eu, ao menos, imagino em que as coisas eram mágicas, quando a vida era mais mágica, enfim. Sim, sinto falta da mágica nos dias de hoje. Magia no olhar das pessoas, magia nas ações, no cotidiano. Essa mágica, no entanto, ainda existe, e diante da companhia certa, não importa onde se esteja, o que se faça, o que se diga: a mágica ressurge do nada. Alguns chamam essa mágica de conhecimento, outros de satisfação, outros de fé. Minha estada em Roma teve tudo isso! E eu não tenho condiçoes de descrever o que aconteceu por lá... somente os iniciados têm condição de saber o que aconteceu.

Acontece que eu estive diante de relíquias históricas e sagradas. Pode ter sido isso... Isso, por si só, ja seria suficiente pra fervilhar a mágica da qual estou falando. Acontece que eu não sei se mais históricas que sagradas ou mais sagradas do que históricas, mas o fato é que diante delas eu fui tocado diretamente no coração e senti-me lisonjeado pela oportunidade de poder abri-lo novamente, e decidir – de bom grado – que eu mais que apenas ouviria atentamente ao que meu anjo me dizia, mas que eu daria sentido a tudo aquilo. E de repente sorria: já era felicidade.

Meus dias em Roma me deram a oportunidade de ver relíquias as quais me deram a chance de me reconcilar – já disse... mas não disse que a porta que elas abriram – ou fecharam, não sei, mexeram com os alicerces do que eu acreditava ser tão concreto, mas tão concreto, que pensava que eram até irretocáveis, perenes, num sentido estrito e definitivo. Senti, de perto, o poder do tempo. E o tempo me mostrou que eram concretos sim, meus alicerces, mas que os mesmos não eram eram decididos como a flecha, mas acentuados como o gosto do tiramisù, ou leves como o ar, mas trêmulos como o topo da panacota... esses alicerces não eram mais lindos como o Panteão, sedutores como a Basílica de São Pedro, ou inebriantes como vinho: meus alicerces tinham o tamanho do amor.



O amor, em Latin, pode corresponder a varias coisas: ágape, eros, storge, pragma... eu fui tocado pelo amor quando eu coloquei os pés na primeira das Igrejas que eu visitei, e decobri que nela estariam os restos da manjedoura onde Jesus nasceu, ou quando n’outra se encontravam os crânios de São Pedro e de São Paulo, ou que numa praça, num obelisco, estariam lascas da cruz em que Jesus foi crucificado, ou quando apoteoticamente fui seduzido pela Basílica de São Pedro, e suas indescritíveis imagens. Eu via, cria... ou cria porque queria: a fé tem dessas coisas. Eu já tinha visto o Sudário em Turin, mas foi em Roma que eu entendi que o que é belo é verdadeiro.

Tive a impressão, por várias vezes, que eu estava velejando por mares agitados e perigosos dentro de mim mesmo a cada inspiração, a cada respiração... só tive paz quando passei a confiar na embarcação na qual eu iria me apoiar, uma linha de pensamento na qual as coisas todas fariam sentido. Sentido para mim, é claro, porque se eu revelasse o que é de mais intenso e interno em mim, não faria sentido, ou seria necessário, ouvir as batidas do meu coração. Sim, eu pensava comigo: pra que somar, se é possivel dividir? Era o mais doce dos meus cérberos, que a essa altura não passava de um filhotinho a procura de um dono. Eu fora domado!

E foi assim que eu reduzi milênios de civilização em dias de peregrinação intensa. Reduzi a história de um dos centros da humanidade à historia do meu encontro com o mais secreto de mim mesmo – que eu mantinha amordaçado e encarcerado na mais suja das celas do meu pseudo-inconsciente. Em Roma eu libertei-o. Libertei-o, e agora ela conhece o caminho da liberdade, e por isso, agora, pode ir e vir, ir e vir, ir e vir, ir e vir... e vai, sem medo das cicatrizes.

30.10.06

Fatias Finas de Verdade...

O Futuro do Pretérito

Eu também tenho meus momentos de inércia, em que eu me pego olhando pro teto e relembrando das coisas que já fiz na vida. Não, não tenho tanta experiencia assim... na verdade eu sou apenas um filhote de pombo que já perdeu um dos pés. Daqui a uns anos eu posso vir a dizer que não perdi um pé, mas que eu que não percebia direito o poder das minhas asas... até lá eu penso que me verei como eu me vejo há anos: um saudosista do futuro.

Correntes de Ar

Engraçado pensar que o trabalho é o período (des)necessário entre duas férias... este é o tempo em que eu fico fazendo companhia para as lembranças. Rio delas, choro com elas: elas me emocionam como no momento em que ainda eram neonatas, ou simplesmente verbos. Gosto das lembranças assim como eu gosto dos verbos... Sim, lembrar também é um verbo, mas diferente não na transitividade ou nas previsiveis conjugações, mas na possibilidade de serem refeitos, recriados, reciclados, enfim, para que a palavra que deveria ser dita possa, então, ser dita, em vez de se calar, ou que o ato que não deveria ter sido praticado possa ficar no esquecimento, e tornar, com a possibilidade da ação ou da omissão, perfeita, a lembrança. Assim eu me lembro do que deveria ser, perfeito, e não sinto o arrepio que segue do arrependimento sinestésico quando lembro ser imperfeito.

Conciliação

Morre-se com o impossível, vive-se com a possibilidade...
Odeia-se a passividade, detesta-se a cólera: vive-se filosofando!
Obedecem-se aos sentidos: todos os sete. Respeita-os.
Dou-se o direito de me espantar com o óbvio e com o milenar.
Comunga-se com o cheiro do mel e figo, com o gosto da vitela da vó;
Urgencia-se a calma assim como evita-se a perfeição – ou finge-se, quem sabe?
Exercita-se com a mente, brinca-se com o corpo.
Ri-se do cansaço, da piada, do sorriso tímido, enfim...
Batiza-se também com água das conchas e dos aquedutos;
Expia-se com bolhas e saudades, com o frio da surda noite;
Evangeliza-se com sabedoria extraída tanto dos livros como dos tempos!
Babel faz sentido porque as línguas se reconhecem.
What’s simple is true....
A união do profano e do religioso se mostra uma verdade só:
Apolo e Dionísio,
As Madonnas,
Gin e tônica...
Sarará Crioulo!
Uma fotinha pré-Roma prá ilustrar um pouquinho....
Em breve, fotos da viagem que nunca vou esquecer!

20.10.06

Why do We NEED Superman?

Certo… não é novidade – não fui eu quem primeiro fez tal pergunta, sequer é novidade esta analogia, mas, afinal, quem precisa do Superman? Quer dizer, será que não somos suficientes e precisamos acreditar em algo maior, algo que satisfaça a nossa necessidade de sermos protegidos? Precisamos realmente de um ser sobre-humano dotado de super poderes e de uma bondade tão docente que cansa o ego, para nos salvar dos problemas advindos do resultado do nosso livre-arbítrio? Não sei também apontar os motivos pelos quais sentimo-nos seduzidos pela necessidade de naão parecermos sós, mas o fato é que, em algum momento, sentimo-nos e precisamos não de ajuda, mas de puro exemplo - desde que não seja do rebanho! Também não sei o porquê de necessitarmos de uma razão para a qual fomos criados, e/ou por que nossa raça se tornou o topo da cadeia alimentar do nosso planeta. Eu creio! Creio em tudo desde os meus pés, até o que me escapa - por isso serei salvo? Salvação, proteção.. .qual a diferneça, no fim das contas? Eu protejo minha família, provido-a, mas o caos me escapa; e continuaria escapando se minha família se ocupasse, mesmo que fosse, única e exclusivamente, da minha sobrevivência – assim também seria se criássemos uma corrente perfeitamente organizada e funcional em que um cuidaria de quem estivesse a sua frente. Não que eu seja niilista – muito pelo contrário – eu creio até demais no Super-homem: eu gosto de martelar totens sim senhores, mas não me aprazo em ser só. Na verdade o impulso do rebanho me faz conversar com o superman, ou mesmo com o seu pai, em Kripton, de vez em quando. O problema é que ele esta lá – diferente do super-homem do filme, e para não ter que deixar de ser criatura de um ser infintamente superior a ele, nos foi dado o livre-arbítrio, para que ele se faça a mesma pergunta que também fazem os meus parasitas, cujas vidas dependem da minha e, por que não, da minha vontade: por que percisamos do super-homem?

9.10.06

Um Objetivo Perene!

O Juninho saiu, a Tathi saiu, o tio trabalha – todos saíram. Estamos eu e a tia em casa – o que significa que estamos ambos sós: ela lendo Sentinela; eu aprendendo descontraído. Sim, descontraído, porque eu me dava conta de que assim como Marilyn e Elvis, Zaratustra também não conseguiu morrer, enquanto passava a ponta do grafite por entre o vão das unhas da minha mão. Mas foi apenas por isso... se eu continuasse a olhar para baixo talvez eu não tivesse descoberto tal novidade. Não sei o que eu descobriria se estivesse olhando pra baixo ou para os lados. Não sei nem se importa a direção pra onde eu olharia… afinal, se até os mais corajosos raramente têm a coragem para aquilo que realmente sabem, eu prefiro apenas desconfiar. Mas não quero falar do que desconfio nem do que penso ter certeza. Estou decepcionado! Eu estava excitado com a minha visita ao bar em que Nietzsche costumava freqüentar aqui em Torino, mas ontem, quando vi as cenas finais de “Os Dias de Nietszche em Turim” e me deparei com as imagens em movimento de um ser distante que não se parecia nada com um Übermensch, e não demonstrava nem um pouco da vontade de poder. Cheguei a pensar que, sendo aquele seu cárcere, o silêncio também poderia ser uma convicção. Mas não... prefiria Dionísio e Apolo juntos! Também não fui adiante com a idéia porque me lembrara que havia sido lançado um novo DVD da Bethânia chamado: “Música é Perfume”. E Lembrei que eu o queria! Mas também queria tirar o aparelho dos dentes! Ai, como ele está incomodando… dias atrás meu dente incisivo lateral inferior direito sangrava muito e eu acabei mudando minha posição de dormir para que ele melhorasse. Aliado com doses paquidérmicas de água oxigenada a boca parou de sangrar. Hoje o dente só incomoda um pouco, mas a vontade de ver o documentário da Bethânia só cresce! Cresce como os meus cabelos que já não têm corte e caem mais do que nunca. Ouvi dizer que cabelo grande cai mais que cabelo curto… espero que seja verdade porque eu me divido entre cortar os cabelos para não ter que penteá-los mais [penso em máquina 2 ou 3!] ou aguardar mais um tempo até que ele cresça o tanto que eu preciso para fazer um corte razoável. Enfim, de qualquer jeito o destino do meu cabelo é ser cortado. Não tenho muita paciência com ele, assim como ele não tem muita paciência comigo. Acho que nos odiamos.. ou somente ele me odeia, pode ser. Eu o hidrato, penteio, tiro as caspas, mas ele insiste em suas convicções e teimosia de só ficar do jeito que ele bem entende… ele nao me ouve! E me lembra os dias em que lavo a louça do almoço lendo Clarice Lispector, ao som de Britney Spears que meu primo coloca. Uma vez ele me disse que era um paradoxo ler Clarice ao som de Britney, mesmo que a ponte fosse a louça sendo lavada. No fim, tudo remetia a ficar limpo, limpo! E de vez em quando discutimos moral, normalidade e, por que não, higiene? Higiene é uma questão moral Posso estar sendo cruel, mas minha luta com meu cabelo me faz pensar no que devo fazer com o catarro que vem parar ocasionalmente na minha boca: cuspo ou engulo? Fico pensando nessa fixação anal que os nossos pais nos repassam de não sei quantas gerações ao nos ensinarem que o corpo é desprezível! Não acho que o corpo seja desprezível ou sujo; muito pelo contrário, sou orgulhoso do funcionamento do meu corpo, e diferentemente do que a grande maioria age, não tenho nojo do que o meu corpo fabrica. Há sim coisas que o corpo rejeita, mas mesmo assim eu não tenho nojo delas. De vez em quando eu engulo catarro sim, e daí? Tem gente que coloca tanta coisa na boca, então, por que não? Ai… tem gente que tem nojo de lavar louça, mas principalmente de lavar panelas. Pergunto: Se o que está nela são sobras do que se comeu com muito bom grado à mesa, o que faz desta algo repreensível? Ai, ai… Não entendo mesmo! [Será que eu faço questão?] Fico pensando, por causa disso, que eu não lutaria pela vida se sofresse um desastre aéreo sobre o oceano. Fico procurando motivos pelos quais lutar, mas só lembro que o aparelho está incomodando e que a caspa do cabelo está coçando - e porque morro de preguiça de lavar louça, apesar da minha mania de organização! Quer dizer, depois do banho a segunda ainda persiste? Então por que lutar pela vida diante de um desastre de avião? Talvez uma nova dissertação me salvaria; algo como relacionar os meios de produção com as respectivas representações religiosas no decorrer dos tempos. Mas e depois? Como encontrar um objetivo perene? Um objetivo perene que valha a pena… Cortar as unhas! As unhas crescem depois de cortadas - seria um exercício de paciência esperar pelas unhas crescerem para depois cortá-las de novo. Não… seria como um inferno pessoal [se eu acreditasse em inferno], como cortar a grama do Maracanã com um alicate de unha: quero um objetivo, não um castigo! Vou comprar o DVD da Bethânia! Procuro um objetivo amanhã… Afinal de contas, minhas unhas já estão suficientemente aparadas.

3.10.06

Velha Infância

Olha o que a Lu me mandou!
Lembrei da época do meu Nintendo [que Deus o tenha]...
Vale a pena ver até o final.
Quem jogou Super Mario Bros vai ficar de bobs!

Eu não sou suficiente!

Eu não precisei fazer nada para ser amado, assim como nada precisaram fazer os que amo e me cercam - eles apenas “são”, e isso é suficiente. O melhor de mim é o fato de eu não ser nada além do que eu simplesmente sou, e maravilhoso é o fato de “ser”, ser suficiente para ser amado, e amar. “Ser” é acreditar – e acreditar, sorrindo! Ou chorando, talvez, mas não porque se está triste (há beleza demais na vida), mas porque sinto felicidade! Pai, mãe, Lu, graças à Deus eu lhes dou o devido valor enquanto estamos ao alcance uns dos outros! Amo... não, eu não amo vocês... o que sinto por vós ainda não tem nome!


Laços de Família

Tocava Marisa Monte naquela noite de frio típico, em Turim. O cheiro de costela cozinhando invadia o quarto, pairando como perfume forte de inverno, tornava cada vez mais peculiar a cena do filho deitado no chão em posição complexa – quase uma ásana!, segurando uma chave-alen, enquanto seu pai escolhia minuciosamente, com raciocínio matemático, o parafuso que se adequaria à fenda, com precisão curúrgica: aquele monte amorfo de metais se tornaria, em minutos, um beliche. A mulher trazia um copo de cerveja para seu marido e a filha mantinha-se absorta à cena familiar, concentrada em fechar o velcro da jaqueta, e a observar as orquídeas na tela do seu computador. Todo o apartamento 14 do Corso Vitorio Emamuelle vibrava com energia bucólica, não pela familiaridade da imitação do Brasil, mas pela família que se unia pacífica e sagradamente no quarto dos filhos, naquela noite profana em que deixaram de reunir-se no salão do reino, para reunirem as peças do beliche.

Sim, estava frio lá fora – Ceres não mais aguentava de saudades de Perséfone!, mas o calor dos corações daquela família era suficiente para escaldar todo o apartamento. Ouso dizer que seria capaz de adiar todo o inverno! Materna como convém a uma fêmea, a mulher desdobrava-se, ora na cozinha, procurando pelo ponto certo da costela, ora no volume e temperatura ideais da cerveja servida ao marido que bebia pseudo-displicentemente enquanto juntava as peças a serem parafusadas pelo filho - como quem unia não tubos de metal, mas como quem metaforizava em cada um dos quatro pilares beliche, um membro da sua familia que dependia da sua força para manterem-se unidos; o filho, por sua vez, grave, fazia da sua missão de apertar os parafusos, não apenas parte do que seria, em minutos, um beliche, mas na tarefa mais precisa e complexa do mundo, que era aplaudida com aleluias, entre cliques distraídos de mouse – ambos reverberantes, a cada junta que não mais se soltaria: era o retrato de uma família feliz. A paz fora restabelecida em comunhão, na partilha da montagem do beliche.

A Arca da Aliaça fora consagrada: nada parecia poder desatar os nós daqueles laços de família. Marisa ainda cantava, mas o cenário agora era a cozinha, conde mesmos pilares equilibravam suavemente, em volta da mesa, uma felicidade efêmera, estontiante como o cheiro da costela cozida. O bezerro fora sacrificado em prol da glória daquela família, que era a mesma de sempre, consumando à mesa, em santa ceia, aquela paz que, de tão inesperada, chegava a doer. Doer de felicidade. E como num milagre, cada membro daquela família repetia, ritualisticamente, cada passo de todos os dia, mas hoje, especialmente, inspirados pelo regozijo da montagem do beliche, nada era esdruchulo, então o filho comia manejando os talheres com calma e cuidado, levando a carne suavemente ate sua boca, mordendo a ponta do garfo e lambendo os lábios enquanto preparava outra e outra e outra garfada; a filha segurava os ossos da costela com as maos e mordia fortemente a carne suculenta, ininterruptamente, até que o caldo grosso escorresse pelos cantos da boca; o pai orgulhoso, de peito estufado, sorvendo a cerveja e comendo o jantar que a sua esposa, ha quase vinte e cinco anos, sagradamente cozinhava, na sua funçao prazerosa de prover, dava graças por todos estarem juntos e compartilhando.

1.10.06

Bliss

Num quarto de hospital uma senhora espera pelo beijo da morte, mas não se sabe sequer se a nossa senhora quer jogar com a morte, enfim. Enquanto isso, do outro lado estamos nós ansiando por uma casa maior – uma morta não precisa de casa, argumentaram alguns, mas nós sim, completaram. De volta ao hospital, sabemos que a senhora é deixada para refletir e comungar com seus cistos – ou seus cistos que querem se reconciliar com ela. Talvez até tenham se tornado companheiros, afinal, já que fazem-se, agora, mútua companhia. Sós, uns com a outra. Nenhum dos filhos está por perto. Apenas os cistos estão por perto… muito perto, diga-se de passagem. E a gente contando os dias, contando os suspiros… acompanhando cada segundo junto do relógio – afinal, queremos a casa! Então a senhora se vai e o apartamento fica vago: a apartir daí a euforia não é mais apenas dos recém-promovidos condôminos; é também da prole que agora decidirá sobre o que será objeto de espólio e o que será deixado na casa, para a sorte.

Depois do vilipêndio, ficaram os óculos grossos sobre um cesto de linhas e agulhas, dois travesseiros e um terço. As palmas abençoadas em procissão também ficaram, mas nenhuma dessas sobreviverá a uma nova peneiração, agora promovida pelos posseiros, também conhecidos como, simplesmente, recém-promovidos a condôminos. As palmas sairão das paredes, o crucifixo foi para o lixo, e os óculos nao terão um parente que os guardará como relíquia sentimental, porque não tinha valor para o espólio. Toda uma vida reduzida a marcas de quadros na parede, e a um amontoado de pregos retirados dela, mas que agora jazem no chão – como a velha senhora recém-promovida à vida eterna. Deus, que o Senior me permita ter por perto, uma mão amiga segurando a minha na hora de eu partir. Amém.

Como era?

Depois de hibernar, escrevo do apartamento do tio Geraldo, em Torino, sobre o show da Marisa Monte em Milano e tento exaustivamente lembrar de uma palavra. Não é simplesmente uma palavra – é um adjetivo. Houve um momento em que, quebrando um silêncio teatral, um fã chama a Marisa de alguma coisa forte, mas que não é empregada freqüentemente, então toda a gente achou graça e a Marisa também deu sua repentina, uníssona e grave risadinha. Mas eu não me lembro agora da palavra... como era?

Eis o meu trecho favorito do show, em termos de performance... "Carnalismo" ficou linda, mas o palco deixa de aparecer, pra ela dar o show...




Como parte dos preparativos pro show eu procurava pelo tracking list, a fim de colocar as músicas do repertório no meu MP3 Player, mas não achava nada. Lembro-me, sim, de ter visto a lista das músicas numa comunidade da Marisa no Orkut, mas não mais encontrei. Tudo o que eu sabia do tracking list era que reunia músicas antigas como “Maria de Verdade”, “Alta Noite” e “Segue o Seco”, mas focando o espetáculo no Tribalistas e mais incisivamente nos dois novos e simultaneos albuns: “Universo ao Meu Redor” e “Infinito Particular”, numa tour chamada “Infinito Particular”. Enfim: cheguei sem saber o que esperar do tracking list.

O Teatro Esmeraldo – apesar de vermelho, era bem pequeno e, por isto, achei que o espetáculo seria reduzido a um pocket, que, aliado ao fato de eu não saber quase nada sobre as músicas do show, fez com que a minha surpresa fosse mais saborosa a cada canção. A cada acorde de uma nova música eu apertava a perna esquerda do Juninho – sempre ao meu lado, e me derretia ao dizer o nome dela, até então, apenas suposta para mim, mas completamente desconhecida para ele, cru que era em assuntos Marisa-Monteanos e que não se permitia ouvir nada que não fosse Madonna, Kylie Monogue e um monte de outras músicas filhas-únicas de cantores-de-uma-música-só, que entre outros quesitos intrínsecos somente para ele, tinha também que horrorizar, de alguma forma, a sua mãe. Mas até ele se rendeu à Marisa, enfim... Já eu me surpreendi porque pensei em um pocket, mas vi um espetáculo de tecnologia, criatividade, simpatia e principalmente, sensibilidade. Mas e a palavra, como era?

Eu fui pro show com essa música na cabeça, então, era de se esperar que fosse, no geral, minha favorita da noite: "Meu Canário".



Como seguidor da Marisa, claro que eu digo que senti falta de umas 70 músicas, pelo menos – mas não ousava tirar uma que fosse. Sim, fiquei surpreso quando ela cantou “Pernambucobucolismo”, mas como era de se esperar, até as descaminahdas se tornam preciosasas quando as ouvimos ao vivo. Tive síncopes psicóticas quando ela cantou “Dança da Solidão”, “Não Vá Embora”, Carnalismo”. O meu momento favorito foi em “Meu Canário”, que, além de ser a minha atual favorita música, contou com a participação de uma gaiola ecologicamente correta: uma graça! Também foi uma delícia ouvir os italianos (maioria no show, diga-se de passagem), com seu sotaque característico, ecoarem na saída do espetáculo, os versos: “Tô te querendo...”


Sei que depois deste show posso me dizer, em partes, realizado, porque estive na presença da santíssima trindade: Madonna, Bethânia e Marisa. Preferi não tentar foto com a Marisa, depois do show, como estratégia para manter o mito. Claro que não seria tão fácil conseguir fazer a foto – penso, inclusive, que foi providencial o último trem para Torino, antes das 5h30 da manhã, ser às 0h30, e termos que correr para apanhá-lo. E não seria apenas a foto.... seria polido dizer alguma coisa para ela! Mas o que eu diria para a Marisa se estivesse diante dela? Apesar de... como era mesmo? Do que foi que o cara a chamou? Sim! Isso! Ele gritou: “absurda!”, e todos riram. Mas ao contrário do que disse o cara na platéia, eu não diria que ela era absurda – não diante dela.... diante dela eu teria que escolher melhor as palavras, e além do mais, eu estava preparado psicologicamente pra vê-la cantando, apenas. Eu não saberia o que dizer para a Marisa Monte, que não é apenas uma cantorinha qualquer... ela equivale ao Espírito Santo, na minha trindade! Não é medo de sofrer – que isso fique muito claro! O problema é que eu teria que ficar outras horas pensando no adjetivo certo.... qual seria mesmo?

Humor


; um, nu, só, dor, fim.

Morto, ímpar, ilha feio, órfão, mudo, seco, qualquer, nada.

Esquerdo, errado, solteiro, saída, mórbido, vazio.

Monossílado, estrangeiro, dissociado, imperfeito, incompleto:

Sorte rima com morte!


26.9.06

Pergunta Retórica #1.

Deus seria capaz de criar uma pedra tão pesada a ponto de ele mesmo não conseguir levantá-la?

19.9.06

It’s Just Elegant! (ou “Sofrendo com Legenda”)

Muitos me perguntam sobre o porquê de eu não escrever sobre Torino, ou postar fotos dos lugares e dos acontecimentos daqui. Ao contrário do que podem pensar os negativistas e os niilistas, sim, eu vivo aqui e estou muito bem: Obrigado!, mas creio que parte da minha inércia literária (se é que posso chamar assim) se deve ao fato de eu ter me surpreendido com a drástica constatação de que a vida sadia que eu levara até agora pareceu-me um modo moralmente louco de viver – e sucedeu que aqui eu tenho perenes borboletas no estômago porque agora é a liberdade que me faz carinho. Hoje sofro com legenda por não ter provocado tal maravilha na minha vida tempos antes, já que exalamos felicidade por cada um dos milhares de poros espalhados pelo corpo – disfarçada de feromônios [e insistimos em usar perfume!]. Explico: é que na concepção Aristotélica de felicidade eu estaria convivendo com doses ascentendes e ininterruptas dela, o que faria de mim um potencial Foie Gras ambulante, cuja felicidade seria maior do que meu – agora – burguês fígado consegue digerir. Além do mais, como diria Marilyn Monroe em Seven Years Itch: "It’s just elegant" estar não na Europa [lembram-se do ditado que diz que pode-se levar o asno até a fonte, mas que da água ele somente bebe se quiser?], mas diante de cultura em níveis burlesco – mais, pelo menos, do que eu consigo digerir! Isto é felicidade pra mim sim; tanto quanto descobrir que eu sou um discriminador em plena atividade, mas do tipo que reconhece que tentar mudar os outros – mesmo que dotado das melhores das intenções, também é ser preconceituoso. Sim, extremamente feliz porque, como quem trata de um câncer, eu tenho a possibilidade de cortar o mal pela raiz.

Entre uma crise existencial e outra eu visitei muitas praças, monumentos, relíquias – não garanto, entretanto, que absorvi metade das coisas que vi nestes lugares ainda [na verdade eu ainda não consegui conceber que eu estou na Europa! – tamanha é a minha felicidade por estar aqui...], além do fato de lutar para aprender Italiano. O problema de estar aqui é o fato de que não basta ver, mas também há de se sentir as coisas, saber o que está por trás delas, entender o impacto das mesmas numa civilização centenas de anos mais tudo ou menos tudo – depende do ponto de vista – que se pode imaginar. E acrescento que o próprio estilo de vida das pessoas daqui me fascina: it’s just elegant!; o transporte público me fascina – não tanto como as maneiras de burlar o pagamento dos bilhetes: it’s just elegant!; os orgulhosos e calmos cachorros praticamente zen-budistas que levam seus donos pelas alças das suas disfarçadas coleiras [mal percebem seus donos que eles são os bichos de estimação]: they’re just elegant!; as lindas negras orgulhosas de sua raça e beleza que ostentam o seu estilo pelas ruas de Torino nos seus penteados que conservam suas raízes raciais [sem fazer aquele alisamentos fedorentos e ressentidos]: they’re just elegant!; a babel na Porta Palazzo: it’s just elegant! e principalmente o véu bege de cetim que se tem diante dos olhos que torna blazê todas as cores [talvez já cansadas de ser] da Itália. Os eucalíptos-canadenses também são um show à parte, porque they’re just elegant, e, além de perfume, dão forma pitoresca [e elegant] ao lugar, e que também são responsáveis por eu perceber [elegantly], todo dia de manhã, através do olfato [elegant também graças à vacina antigripal que tomei ainda no Brasil], que eu estou não na Europa, mas numa linha imaginária que não mais é a do Equador, onde eu acostumei me situar, mas algo do tamanho da minha imaginação... [elegant?] Adquiri, aqui, um passatempo, que se tornou um dos mais divertidos dos que eu tenho memória: adoro contemplar as construções e observar as colunas, analizando e rotulando-as [que irônico] como jônicas, dóricas ou coríntias – na verdade não é mais um simples passatempo, tornou-se uma compulsão neurótica, como as que eu normal e naturalmente coleciono. Compulsão como a de, por exemplo, ouvir o som das rodas da mala de viagem sobre as diferentes superfícies das calçadas das cidades, no Brasil. Itália, Itália! O próprio som do nome deste país me faz pensar que estou pisando sobre o mapa da escola secundária, nas tediosas aulas de geografia! Estou num paraíso de história, e que me faz, de certa forma, temer o inferno...

Mas a Itália se torna física quando vejo que estou ao lado do Estádio Olímpico onde aconteceram as Olimpíadas de Inverno, ou que Torino é o lar do Juventus – o time de futebol, cujos jogos acontecem do lado de casa e que são responsáveis por não existir lugar para se estacionar perto de casa. Ah, o trânsito de Torino! O trânsito é uma piada à parte, mas nem um pouco elegant: como é louco o trânsito em Torino, com seus carros estacionados nas esquinas, ou sobre as faixas dos pedestres, ou em fila dupla nas ruas de sentido único. O mesmo trânsito em que os carros não obedecem aos sinais – nem os vermelhos.. quem dirá o verde!? Digo que quem dirige em Torino dirige vendado em qualquer grande-centro do Brasil... Ah, as autoridades não estão nem ai... Olha onde e como o carro foi estacionado!

A língua é outra coisa extremamente curiosa e nervosa! Por mais drástico ou engraçado que pareça, tenho a impressão de que, tentando falar Italiano, aprendi a falar Espanhol! Parece que, no fim das contas, o Espanhol seria um resultado da mistura do Italiano e do Português... Tem um mês que eu estou aqui e digo, sem falsa-modéstia, que compreendo tudo o que se fala comigo, mas a minha língua ainda se recusa a falar Italiano! Fica parecendo que se tem uma surpresa muito grande muito bem preparada e escondida – mas que está guardada à sete chaves e que somente revelar-se-á no momento certo.
A Itália se torna palpável quando eu apresento fotos de mim na Praça Statuto,

diante do meu monumento favorito, ou da Igreja Madre del Dio [que tem colunas coríntias!] e da torre no monte del Capuccini – tudo pertinho do rio Po.

Eu cercado por ruínas romanas milenares

e de um teatro,

de todos os lados em frente ao Museu de Antigüidades e da Igreja Central de Torino, que conserva no seu interior o Santo Sudário (sim, eu estive lá!).

Universo Particular!

Vai soar pomposo da minha parte, mas é pra soar mesmo: depois de ver a tia em Londra, no dia 27 de setembro, em Milano, verei uma das primas – Marisa Monte, em carne, osso e voz! [risos] De-repente pareceu que eu teria direito de dizer que, já que perdi o show da Marisa no Brasil, vim prá Europa prá não perder esse também! [Sim, eu tô me sentinto nas nuvens!]

O Filatelista (ou “O Lavrador”)

Olha que cena curiosa: eu, um neo-paganista na Itália – berço do catolicismo, convivo com Testemunhas de Jeová e Adventistas do Sétimo Dia! Eu me comporto mornamente entre todos eles [e não, não serei vomitado! Estude a história por traz da Bíblia antes de dizer asneiras!] porque eu tenho a minha ideologia e conviver com a alheia, na pior da hipóteses, traz crescimento intelectual e, com isso, tem-se mais escolhas. Não sei falar de números, mas a lógica diria que as chances disso acontecer num país como a Itália seriam muitíssimo pequenas... mas é verdade: estou no meio do fogo cruzado de uma guerra fria! Por isso, acabei me tornando, aqui, um colecionador de selos. Ouço falar de selos o tempo todo, de tantos que foram abertos e de um coitado e solitário a ser aberto, que coincidirá com o fim dos tempos. Este último, por sua vez, é tão aguardado que eu ousaria dizer que, assim como se fala tanto no diabo em certas religiões, o fim do mundo é quase que a abertura de uma feira agropecuária para outras, com direito a fogos de artifício em show pirotécnico e estandes de mostra, comidas típicas e tudo mais, como na música da Rita Lee, em que ela vai "entrar no capote de camarote"! Mas o problema é que esse camarote é tão disputado, e segundo cada lado, seriam poucas as vagas para apenas e tão somente aqueles que da sua versão da verdade compartilharem. Acontece que os entusiasmistas do apocalipse ja previram o fim do mundo no ano 2000, usando e abusando da máxima: "de 1.000 parassá, de 2.000 nao passará", e eu, num prazer quase doentio, deleitei-me não porque o mundo nao tinha se acabado, mas porque eu podia contradizer um dogma do qual eu não compartilhava. Prazer doentio sim...

Tendo certeza de soar muito irônico [nem tento fingir mais que não era a minha intenção, sabia?], se somente Deus e Jesus Cristo deveriam saber o dia certo, qualquer pseudo-premonição feita por qualquer mortal, em dias alternados e consecutivos bastariam para adiar o fim dos tempos, ja que outro ser, além dos que deveriam saber, o saberia... isto estragaria os planos e, por si só, destruiria outro dogma. Alguém me disse também que era prevista a volta de Jesus num ano preciso do século XIX, o qual não me lembro, mas que, segundo a lenda, não aconteceu, mas usaram a mesma data para explicar um evento metafísico, incapaz, portanto, de ser provado, mas que satisfazia o rebanho e não contradizia os dogmas. Conveniente, não? Além do mais, o Concílio de Nicéia fez tranto estardalhaço do trabalho de Jesus contado séculos depois [quem conta um conto, aumenta um ponto, não é verdade?] que se a ressurreição do Deus não fosse precedida de um alinhamento perfeito de todos os planetas [e os canditatos a] – do Sol até Sedna, não teria graça, ou não seria suficiente para acalmar os ânimos... além do mais, tranformar água em vinho, no nosso mundo capitalista, não seria grande coisa, até porque, já que se pasteuriza leite azedo até cinco vezes e coloca-se à venda para consumo, nos dias de hoje, Jesus ressuscitado teria que ser um alquimista que transformasse lixo nuclear em ouro! Ou em dólares? Preciso urgentemente de um economista aqui e agora!

Eu creio que o fim dos tempos está proximo sim, mas dos tempos da atual potencia capitalista do mundo – os E.U.A., como aconteceu com a Grécia, por exemplo, ou a U.R.S.S., e/ou do Catolicismo, como aconteceu com o politeísmo grego: eis o fim do tempos no qual eu acredito... uma potência falida cendendo lugar à outra! Agora, não creio no fim do Catolicismo, como creio no fim dos E.U.A como superpotência, mas no gradual e inevitável processo de perda de influência e conseqüente discrição do seu poder. O vô João Paulo II pediu perdão pelos crimes cometidos pela Igreja – acho que o simples reconhecimento das intenções perniciosas dos velhos tempos ou da má admistração é sificiente para esboçar um sorriso meia-boca, mas não é suficiente para perdoar. Bem, não é sobre isso que eu venho dizer aqui nesse Post, então que remoasse essa mágoa numa outra oportunidade. Mas temos que reconhecer que o catolicismo simplificou a fé, tornando-a mais acessível [Mais uma vez não estou analisando os motivos, mas as conseqüências]. Palmas para os homens que acreditam que Deus criou a religião! Palmas para os homens que acreditam que religião salva! Palmas para o catolicismo e seus 2006 anos de cristianismo pregado! Palmas por isso tudo, mas principalmente por dar esperança àqueles que somente sabem procurar, procurar, por dar esperança àqueles que, por necessidade alheia, precisam se manter na base da piramide social, sustentando as camadas superiores, dando sempre, graças à Deus! Estes sim, precisam de organizaçao da sua fé, mas não porque não têm capacidade, mas porque há interesse de que se mantenham no rebanho!

Sabemos que nada se cria, mas se transforma, e a nova era na qual tanto falam os materialistas neuróticos, entusiastas do fim do mundo, que terão, em troca de subserviência e lavagem cerebral comuntária tantas vezes quanto necessárias, por semana, terão não sei quantas virgens esperando por eles ou um paraíso branco e enuviado para alguns, campos verdejantes e água corrente para outros, está para chegar. Alguns entusiastas do fim do mundo ainda acreditam na imagem medieval de inferno e danação eterna, mas outros também crêem em céus e infernos particulares... outros acreditam em dimensões e na evolução da alma para realizaçao de carmas.. o fato é que toda realidade é inventada, e o que a torna real é a quantidade de pessoas que nela acreditam: basta que umas poucas plantem sementes e exponencialmente, sejam colhidas as suas ideias. O resto é metafisica e teodiceia...

30.8.06

Depois dos "clacks"

Como bem disse o meu querido amigo Rodrigo, eu tenho meus momentos de "clack", quando estou prestes a quebrar por qualquer coisa: "Acabou o suco..." - clack!; "O sol nasceu..." - clack!; "Avistei um cachorrinho mancando..." - clack! [barulho de vidro trincando]

Tem dias em que percebemo-nos hipersensíveis. Eu o sou todos os dias, como ciclotímico assumido, mas em certos dias a melancolia é tal que tudo é capaz de trincar a capapaça quebradiça, e num "clack!", eu caio em pedaços, destruído... usando mais reticências que de costume... evitando acentos, como de costume. No fim a sensação é a de que eu explodiria menos se fosse mais sincero, e como dizem por aí: "nada como um dia depois do outro."

E para comemorar, baixou encosto de Steven Klein e sairam essas fotos hoje!




Fazer carão assim me lembra a Lu....



So... STRIKE A POSE!

29.8.06

A Força dos objetos “Inanimados”


Agora a pouco eu pedia ao Juninho que procurasse, pela última vez, um texo que, por acidente eu apaguei. Talves esse texto não tivesse tanta importância, mas pelo fato de ele ter fugido de mim, eu o superestimo. Como aquelas coisas das quais somente sentimos falta quando as perdemos. Eu mesmo tenho me acostumado com esse sentimento de perda pelo fato de senti-lo muito freqüentemente esses meses.

Antes de começar a escrever esse texto eu pensava em como seria a vida das coisas inanimadas, e como elas se vinculavam às nossas. Algumas pessoas pensam que os serem humanos são não o centro do universo, mas o centro da criação... o objetivo máximo desta, a obra-prima: não sei quantos graus, portanto, acima do, aqui, mero geocentrismo – para alguns, humanocentrismo. Uma vez li que o ápice que qualquer coisa pode alcançar é torna-se um ser; mas “ser” é tudo o que é. Portanto, o que me torna diferente de uma pedra é o simples fato de que somos seres diferentes, mas cada um com sua inteligência implícita, nada de graus diferentes de superioridade ou nada de irracionalidade. Sim, dizemos que os animais são irracionais, mas dentro de um padrão de inteligência medido a partir da padronagem humana, a qual os animais tidos como irracionais somente poderiam chegar se eles se tornassem humanos, assim como perfeição, que é um atributo divino, o qual os homens somente alcançariam quanto tornassem-se divinos. Acho que por isse sentimento de vazio, mas mascarado pela pretensão, costuma-se limitar as coisas ao entendimento humano, limitado, portanto, mas que, por egoísmo, pensamos serem o ápice das coisas – esquecendo-nos que todas as coisas são seres, mas por não serem humanas também, podem ser diminuídas.

Não é sempre que eu me sinto bem sendo parte do topo da cadeia alimentar. Topo.... Bem, o ser humano autodenomina-se o topo da cadeia alimentar na Terra, mas eu não tenho tanta certeza disso. Aliás, acaba de me ocorrer que a própria imagem e semelhança com Deus que o ser humano proclama para si é um fato plenamente questionável. A razão faz do homem cobaia das suas descobertas quando, atavés dela, o homem vai destruindo aos poucos o seu bem mais valioso: a auto-estima. Como quando Copérnico afirmou que a Terra não era o centro do universo e fez com que a humanidade não mais se vangloriasse pelo fato de serem a engrenagem principal do infinito (?), ou quando Darwin disse que o homem não era o objetivo da criaçvo, mas uma, entre tantas etapas dela, apontando o macaco como possibilidade da nossa ancestralidade [tolos os que pensam que essa afirmação se trata apenas de “termos vindo dos macacos”...] ou quando Freud afirmou que não temos controle da nossa personalidade, ao apresentar o inconsciente para os seus “hospedeiros”, os seres humanos. Penso que a descoberta coletiva de que Deus é um escudo será um golpe fatal para muitas almas fracas, uma vez que dirá, com todas as letras necessárias, que Deus não precisa ser onipresente na vida humana, se ele não o quiser, e que ele não criou apenas os seres humanos, habitantes da Terra. Pensemos, por um momento, que as baratas fossem autoproclamadas topo da cadeia alimentar e estivessem escalados evolutivamente como o estamos agora: para elas, qual forma teria Deus? A de um ser humano? Tenho certeza de que não. Agora numa escala maior... muito provavelmente a Terra não seja o único local habitado do Universo. Se em algum desses locais onde houver vida, se esta preocupar-se com isso, tais habitantes também podem acreditar serem a imagem Dele; mas seriam eles parecidos o suficiente conosco a ponto de justificar a nossa semelhança com Deus? Portanto, a semelhança dos homens com Deus não passa de busca por conforto interior, uma tentativa de não se sentir apenas um amontoado de genes espelhados num organismo no meio de tantos ao seu redor, na sua cidade, no seu país, no seu planeta, no seu sistema solar, no Universo, no infinito, no.... Definitivamente eu não sou parte do topo da cadeia alimentar, e não quero pensar que seja um ponto de vista. Não quero ser conivente com o rebanho hoje...

Por um momento eu deixei de sentir falta do meu texto para sentir-me triste. Antes eu via a perda do texto como um vaciloo meu, mas hoje penso que o texto não quis ser visto, ou simplesmente não me quis. A inanimação das coisas é um ponto de vista, assim como a concreticidade das mesmas. Uma vez um aluno me afirmou que concretas eram as coisas que podiam ser vistas ou tocadas. Eu lhe perguntei, então, se o ar era abstrato, uma vez que não era visto, ou se Deus era abstrato, já que não podia ser tocado. Eu lhe disse que os seres seriam sempre concretos onde eles existissem, e que, ao contrário da força que temos para criar seres potentes de serem concretos na nossa imaginação, não há como torná-los abstratos outra vez, porque somente pode se abstrair sobre coisas concretas. E eu lhe disse que o ser é aquilo que é. As exceções somente existem nas coisas criadas pelos homens, que é limitado por natureza, mas o universo não foi criado pelo homem...

O meu texto tinha mais de cem páginas e doeu escrevê-lo. Doeu porque ele era vivo, e dói dar a luz. O processo de concretização de uma idéia é dolorido porque envolve sentimento. É o processo em que dolorosa e penosamente se mata algo puro, tira-se a vida de algo perfeito para transformá-lo em algo imperfeito, como nosso pensamento, limitado por natureza. Mas essa morte não é dolorosa apenas para para a idéia, que, de certa forma, é natimorta por necessidade. A idéia morre para que algo novo nasça dela, e torne-se algo compreensível para a limitada inteligência humana, traduzida, portanto. Mas esse processo não é indolor para o ser humano. A idéia sofre, traumatiza-se, mas, por compaixão, digo que sofremos também. Dói porque só sabe o que é uma coucha quem viu e sentiu a coucha; só sabe o que é luz quem se ofuscou – o resto é apenas especulação. Portanto, a idéia dói porque ela somente pode ser traduzida por sentimentos, que podem ser prazerosos, mas também podem ser dolorosos ou mesmo recalcados, fazerem parte de um passado que não traz nenhuma alegria sem antes pensarmos nos acessórios que, por conta dele, nos foram concedidos.

Muitas vezes eu quis ter tomado decisões diferentes no passado. Quis voltar no tempo e mudar uma coisa específica, sem a qual eu viveria melhor sem a lembrança, mas fico triste porque eu não sei se os acessórios – que hoje me são mais preciosos que mesmo a valiosa lembrança da experiência tirada dos momentos difíceis – me acompanhariam. O fato é que eu não sentiria falta deles se eu não os tivesse tido, mas hoje penso que naoo viveria sem eles se pudesse escolher outras decisões para o meu eu do passado. Será que eu poderia confiar na força das coisas inanimadas? Será mesmo que as coisas acontecem quando elas devem acotnecer? Ou elas somente acontecem porque o caminho das bifurcações dos sins e nãos possibilitaram seu acontecimento? Será mesmo que o meu texto tinha sentimentos porque eu os coloquei lá dentro? Teria ele capacidade de escolher, se eu lhe desse esse poder? Eu sou o deus da minha criação? Será assim que funciona o livre arbítrio? Quer dizer, se eu sou deus dos organismos que vivem dentro de mim, cuja vida depende da minha, que depende da minha simples decisão? O livre arbítrio pode me destruir – a morte é uma decisão minha ou dos meus organismos? Acho que nem um nem outro, porque ambos fomos criados pela mesma força, afinal. Volto, então, ao começo? Mais uma vez a teodicéia? Ou o criador permite sublocação?

Minha solução é aceitar a perda do meu texto, como sente a mãe que ouve que seu filho morreu no eu ventre. Eu não fui capaz de gerar meu texto. Não ainda. Esses dias eu sonhei com a minha mãe e com o Jacko. Contei o sonho para minha mãe e ela disse que quando eu estivesse trabalhando eu deixaria de pensar nessas besteiras. Lembrar é besteira? Penso que besteiras sejam as coisas desnecessárias. O que eu tenho deles, agora, é somente a lembrança que carrego na minha cabeça, como o tamanho das suas mãos quando as colocava sobre as minhas, ou na lembrança que carrego, do seu focinho, ou dos dentinhos tortos – agora com aparelho, ou do seu rabinho cotó. Ainda não chorei desde que saí de casa, mas penso que eu deveria, se eu levasse a sério o que ela disse e esquecesse-os, quando começasse a trabalhar. Sim, agora eu me lembro: foi esse o grande motivo das nossas desavenças – ela queria que eu fosse racional como ela, mas eu apenas gostava, e isso não era suficiente. Eu não tenho culpa dos traumas dela. Não tenho. Não. Não tenho. É... eu realmente não tenho culpa, se as coisas inanimadas não tiverem força.. afinal, eu também já fui uma idéia... e hoje....

25.8.06

Deus abençoe o inventor da mala com rodinha!

Este post eterno começa durante a corrida aparentemente sem sentido protagonizada por mim e pelo Juninho, com o objetivo final [sim, havia outros que serão revelados no decorrer do texto] de chegarmos ao aeroporto de Luton, que como eu já constatara, fica beeeeem longe. E para caracterizar o clima de aventura e dar um certo movimento ao texto, convém dizer que não bastava apenas chegar ao aeroporto, mas tratava-se também de vencer desafios: chegar antes da meia-noite dentro dele. Pode soar tranqüilo, mas se levarmos em consideração o fato de que estávamos viajando de noite de uma província para a outra, cortando Londres e com tempo contado, era natural se preocupar, mas se lembrarmos de quem estava fazendo o trajeto, a preocupação deve ser multiplicada por “n” fatores.

Pois bem, não sei se pega bem começar desabafando, reclamando que toda vez que eu pego um avião a minha mala extravia. Aliás, nem sempre – quando eu não levo mala ela não extravia. No entanto, como eu a levei para a Inglaterra, em algum ponto entre São Paulo, Espanha e Inglaterra ficou a minha malinha dessa vez. Dei o endereço do William para que ela fosse entregue, mas quando eu a recebi, ela estava um caco: alça bamba, puxador solto – enfim, um caco! Acabei comprando um misto de mala e bolsa linda em Reading, que tinha ao mesmo tempo, alça e puxador, além de ser imensa de grande e, por isso, caberia o mundo dentro dela [leia-se mundo como sendo o que eu trouxera do Brasil, mais umas coisinhas que eu fui adquirindo pelo caminho].

Logo na descida das escadas da casa do Izalty eu percebia que a viagem não seria o que pode-se chamar de fácil: a mala parecia pesar 798.432 quilogramas quando colocada nos ombros, e cerca de ¾ disso quando puxada. Pensei: “ai, fudeu!” Enquanto eu puxava a mala, que ia ficando cada vez mais pesada na medida em que eu andava e as roupas iam se amontoando umas sobre as outras, eu tentava me distrair analisando o barulho que as rodas faziam nos diversos tipos de calçada. Eu acabo me distraindo sim porque fico imaginando que pode ser o mesmo princípio que fazia as agulhas de som ecoarem as trilhas dos discos de vinil. Em Valadares mesmo eu já tinha fazia distinção de calçadas pelo som que elas produziam quando as rodas da minha mala passavam sobre elas. Confesso que essa era a minha grande distração no período em que eu viajei muito pela Escola. No entanto, após todo o peso decantar no fundo da mala, as mãos também começavam a doer devido ao tempo que os dedos ficavam pressionados contra o puxador de tecido sintético, que ia ficando cada vez mais fino devido, justamente, à pressão dos dedos da mão fechada faziam. O resultado eram dedos machucados e doloridos [Sim, eu revezava a mão direira com a esquerda, mas as duas já doiam – eu precisava de mais umas 18 mãos].

Quando chegamos à estação de trem de Reading, eu detestava quem tinha inventado a bolsa de rodinha, enquanto chegava à conlusão de que eu amava mais que tudo, o inventor da mala de rodinhas. [Inveja mortal do juninho.... sim, a dele tinha rodinhas, mas era mala!] Bem, mas como eu diziam chegamos à estação de trem de Reading cerca de 22h00, e tínhamos duas opções: ou pagávamos as £20,20 da viagem convencional, ou pagávamos £30,55 se a viagem ultrapassasse a meia-noite. [Como dito em outro post, compra-se bilhetes, na Inglaterra, que valiam para o dia todo, de qualquer lugar para outro, quantas vezes fossem necessárias, mas com validade automática para a meia-noite.] O segundo desafio havia se revelado: além de ter que chegar antes das duas da manhã, horário este cujas portas do aeroporto se fechavam [quem estava dentro ficava, quem estava fora também ficava, só que ficava do lado de fora]. Como eram apenas 22h00, decidimos por comprar os bilhetes convencionais porque eu levei 1h30 para fazer o trajeto.

Ih, acabei não dizendo que o Juninho comprou nossas passagens via Internet, e que o desconto para um determinado vôo era absurdamente convidativo – cerca de 60% de desconto, mas quando fomos bookar nossa passagem, descobrimos o porquê do preço: o vôo estava marcado para as 06h30 da manhã. Qual o problema? Bem, se levarmos em consideração: a) o fato de que o check-in para vôos internacionais acontecer com duas horas de antecedência, ou seja, 04h30 da madrugada; b) o fato de que o metrô de Londres parar de funcionar por volta das 02h00 da madrugada e voltar a funcionar somente 05h00, valia a pena chegar mais cedo e ficar lá mesmo pelo aeroporto afora, onde a temperatura era controlada e c) Não fazíamos idéia da hora em que o aeroporto abria – mas isto não era problema, já que ele tinha que estar aberto para o check-in do nosso vôo... mas claro que isso conta também porque era mais drama para a nossa aentura!

Pois bem, nosso tempo era controlado minuto-a-minuto. Na subida pela escada rolante até a plataforma 7, começamos a imaginar que até Paddington seriam uns 40 minutos, depois de metrô levaríamos outros 20 minutos e, com certeza, estaríamos dentro do último trem antes da meia-noite, quando os nossos bilhetes ainda seriam válidos, e com certeza, chegaríamos antes das duas da madrugada no aeroporto de Luton, com tempo de dormir ainda dentro dele antes do check-in. Na descida para a plataforma, avisto que a previsão de chegada do nosso trem era para 22h08, e que ele estava pontualmente chegando. Nossa felicidade acabou, no entanto, no minuto em que sentamos: a voz no sistema de som avisava que esse trem estava atrasado e que somente chegaria em uma hora. Nos entreolhamos com cara de origami e fomos pra outra plataforma em que estava previsto um outro trem com o mesmo destino para sair às 22h20. Só não falo que foi, de novo, o tempo de sentar porque levou uns minutos até informarem que aquele trem também ia se atrasar cerca de meia hora. Foi quando a cara de origami tornou-se cara de paisagem, e percebemos que não havia outra coisa a ser feita senão esperar e agradecer pelo fato que que, pelo menos, o trem chegou depois de não sei quanto tempo.

Refazíamos as contas até a exaustão, mas percebemos, da maneira mais dolorosa, que não adiantava: controle não era um dom humano. Aquela sensação de controle que se tem quando pergunta-se o que se pretende fazer na manhã seguinte e responde-se que vai pro trabalho ou que vai passear não passa de ilusão e que pode-se morrer durante o sono ou outro tipo de imprevisto ou força maior fazer a gente perceber quem manda... A mesma sensação eu senti quando chegamos a Paddington e descobrmos que justa e unicamente a circle line (cor amarela), que por um acaso fatal era a linha que nos levaria até Farrington estava desativada por tempo indeterminado, e que as pessoas que dela precisassem poderiam usufruir do sistema de ônibus ou redeterminar sua rota através do mapa do metrô. [pausa] Por um acaso você já viu o mapa do metrô de Londres? Acredite em mim: é pior do que eu estou fazendo parecer. Aliás, é fácil se locomover pelo sistema, mas o mapa dá um desespero tão grande quando visto pela primeira vez.... Sentamo-nos no chão e refizemos nossos cálculos, descobrindo que na Baker Street seria possível pegar outro metrô que nos levaria para Farrington. O problema era o tempo.... mas, enfim, pegamos a Bakerloo (linha marrom) e descemos na Baker Street, a tempo de correr para descobrirmos em qual plataforma ia passar o bendito do trem da Metropolitan Line (linha rosa) com passagem à Farrington... o problema é que não tinha ninguém para dar informações e passamos por quase todas as 8 plataformas até encontrar a nossa – tudo com o exú da minha mala junto de mim. Olhe o mapa do metrô e veja se não é desespeador!

Ufa! Chegamos em Farrington, mas agora o bicho era descobrir em qual plataforma o trem chegaria. Ao menos tinha quem nos desse informação dessa vez, e na plataforma 4 havia um monitor com a previsão da chegada do nosso trem... falei que eram 23h50 quando chegamos à Farrington? Não? E se eu disser que o nosso trem era previsto para chegar às 23h58? E se eu disser que eu não acreditava mais na pontualidade britânica naquela noite? Eu estava pronto para rodar a baiana se alguém me molestasse por conta de passagem na hora de entrar no trem, mas este, finalmente chegara exatamente quando previsto. Quando entrei no trem fiquei, num misto de alelúia e cansaço fiquei pensando se era aquela a sensação de um pré-infarto. Drama? Se alguém me dissesse que eu era dramático aquela note eu era capaz de matar! Matar com mordidas, uma colherada ou mesmo beliscões que fossem, mas eu juro que matava!

A continuação da viagem até que foi tranqüila.. chegamos à Luton e vimos cerca de 50 pessoas estiradas aeroporto adentro, pelo chão afora – alguns até equipados com colchõezinhos infláveis e mesmo os mats que eu usava para praticar yoga. O fato é que a cada minuto eu admirava mais e mais os práticos e despretenciosos europeus que comiam na rua, deitavam no chão do aeroporto, vestiam-se como queriam e agiam condizentemente com o que vestiam. Percebi que europeu não era apenas um estado geográfico de ser, mas um estado de espírito, principalmente. Aqui eles comem Mcdonald’s com as mãos – sem guardanapo, e agem tão naturalmente que eu fico com raiva da atitude hipócrita dos brasileiros que reparam nos cabelos [discriminando o caráter pelo penteado ou pelo fato de se ter uma tatoo ou usar brinco], reparam nos hábitos alimentares e se preocupam demasiadamente com as vidas alheias. Ah, lembrei do carnaval.... da hipocrisia do carnaval.... vende-se a iamgem de que o brasileiro é liberal e que aqui se pode tudo, mas sabemos todos que não é verdade. O brasileiro é preconceituoso: a mesma mulher que delicia os foleões é mal vista tanto por homens que as enxergam como piranhas [é como são vistas as mulheres liberais no Brasil, que são diferentes das prostitutas, que, ao contrário das piranhas, cobram sim pelo que fazem, mas são, na maioria das vezes, mais recatadas que aquelas na vida pessoal, e compartilham do sentimento discriminatório do rebanho]. E o nacionalismo de copa do mundo, que eu também chamo de ereção-nacionalista-matinal? As desbotadas bandeiras do Brsil com aroma de naftalina só vêem a cor do sol de quatro em quatro anos, e como Santo Antônio que, de castigo por não ter arrumado casamento para a “devota”, são condenadas à solitária quando o Brasil perde a copa... Na verdade passo a acreditar que não se vive melhor no Brasil porque preocupa-se demais em ver como vive o outro para se esquecer dos próprios problemas do que se esforçar para resolvê-los. No Brasil preocupa-se mais em mostrar o que se tem do que fazer para ter. Aliás, tem-se vergonha de trabalhar, no Brasil: muitos enfeitam os nomes dos seus cargos para que soem ocupados e importantes... tipo, subassessor adjunto de pseudo-planejamento de uma porcaria qualquer! Eu mesmo conheço gente que por conta do cargo que ocupam, mesmo infelizes, descontam os problemas falando de trabalho com os amigos e fazendo de tudo para converncer-nos (e a si mesmos, principalmente) de que são felizes... bobos.... esquecem-se de que a felicidade não é um estado fixo, mas a capacidade de contenplação de pequenos prazeres que podem se renovar a cada dia... não sei se tenho raiva ou pena dessas pessoas. Fiquei tanto tempo remoendo mágoas sobre o Brasil que resolvi remoê-las parte do tempo praticando yoga com o Juninho, e na outra parte escrevendo a agenda, até que as 4h30 chegaram e fos eu e o Juninho para a fila do check-in, que foi quase perfeito... A parte boa foi que me livrei, momentaneamente, da minha bolsa e ruim porque não observamos o peso de cada mala... para ser sincero nem procuramos saber o peso que cada uma poderia ter: achamos que fossem os usuais internacionalmente praticados 32Kg, mas eram vinte... resultado? Vinte e duas libras a serem pagas a mais. Mas tudo bem porque mesmo assim o valor da passagem ainda valia a pena!

Fiquei surpreso quando passamos pelo portão de embarque, quando fizeram a revista... primeiro que não se podia levar, como bagagem de mão, nenhum tipo de líquidos, nenhum tipo de gel, nenhum produto de higiene pessoal, isqueiro e nenhum metal – inclusive moedas! Além dessa precaução acerca da bagagem de mão, ao entrar tirava-se o casaco e junto da bolsa de mão, colocava-se na esteira inclusive os tênis! Depois disso o que sobrava do passageiro ainda era revistado por um guarda e depois passava por uma detecção de metais. Fiquei chocado sim, mas aliviado com o fato de que não tinha como nenhum terrorista lazarento me incomodar deixava-me feliz. Mas mais feliz ainda eu fiquei quando entrei no avião e me acomodei... mas como tristeza não tem fim; felicidade sim, eis que senta-se do meu lado um maldito indiano fedendo a suor velho com cecê. Era tão forte a catinga que eu fui forçado, naquele frio do cão, a ligar o ventilador em cima de mim ou eu vomitava! Ai, como eu desejava chegar logo à Itália – parte pela viagem, mas uns 95% por causa do fedor do caboclo! ...o Juninho só dormia! Mais uma vez eu sentia ódio mortal dele! [sentimento que eu me acostumei a sentir por ele, e que se intensificou exponensialmente quando pisamos no aeroporto de Bérgamo].

Minha passagem pela imigração foi mais uma vez uma traqüilidade absoluta: o policial me perguntou quanto tempo eu iria ficar e eu lhe respondi, em Inglês, que eu estava aqui para o meu processo de cidadania. Enquanto eu pegava os documentos na minha bolsa ele carimbu meu passaporte e me explicou, em Inglês também que eu tinha 7 dias para obter o Codice Fiscale, 15 para dar entrada no Permisso e aguardar. Mais uma vez ele perguntou quanto tempo eu pretendia ficar e eu respondi “o tempo que for necessário”, quando ele comentou: “se for sua intenção ficar conosco, serão cerca de 3 meses”. Gente, quem foi que falou mal da imigração mesmo? Não aceito! Virei fã! Já quero criar uma comunidade no orkut chamada: EU AMO A IMIGRAÇÃO! Ah, lembra que eu falei que as minhas malas sempre eram extraviadas nos aeroportos? Pois é... essa foi a única vez em que eu rezei para que ela sumisse e fosse entregue no dia seguinte no conforto da minha casa, mas a lazarenta estava me esperando na esteira... e mais pesada do que o costume! Eu quis chorar!

A sensação de que eu estava na Itália não era percebida somente por causa do calor ou por causa da língua, mas porque eu finalmente consegui usar os Euros que eu tinha levado. Meu sentimento de ódio pelo Juninho ia se intensificando enquanto ele ia se comunicando perfeitamente em Italiano com o povo... mas isso eu podia aprender, ou, em outras palavras, tolerar... o que eu não suportava era a mala dele que corria linda e suavemente pelas ruas enquanto a minha bolsa, saco, castigo, encosto, sei lá, ia ficando cada vez mais pesada para se carregar. Fiquei pensando se eu realmente fui tão mal na outra encarnação a ponto de merecer isso, mas a cada etapa vencida com o castigo que eu carregava comigo eu misturava a alegria de estar pisando em solo italiano com a certeza de que ia dar tudo muito perfeitamente certo, porque carregar a mala não podia ser apenas acaso... tinha que ser a preparação para algo muuuuuuito bom que ia me acontecer. Mas não, não era... quando chegamos na estação de Milano [sim, agora eu falo os nomes como eles realmente são... tenho uma birra quando mudam os nomes das coisas!], o trem de 11h18 estava atrasado e somente iria sair em duas horas. E adivinhe: tinha gente paraticamente caindo pelas janelas! Quando ia ter outro? Em duas horas! E o medo de o trem parado e lotado ser ser o que iria sair em duas horas? Ai, que meda!

Felizmente o trem lotado não era o nosso. Não tive condições psicológicas de fazer foto alguma por conta do sono e do ódio da minha bolsa, mas observei que, ao contrário da Inglaterra, a Itália é um país agrícola... bem, tirei essa impressão a partir da paisagem de Torino, e dos campos cultivados. Não me lembro de ter visto um boi sequer nos momentos raros em que eu acordava assustado com o som ensurdecedor dos trens que passavam do nosso lado. E o calor... ai, que calor! Eu já sentia falta de Reading e dos ventos frios da primeira parte da tarde... E por fim chegamos a Torino depois de cerca de 90 minutos de trem e eu tive que carregar aquele encosto de novo até o ponto do metrô. O sistema público de transporte deve ser mencionado agora: ao contrário da Inglaterra, o “bilheto” vale por horas determinadas... e pode-se escolher entre ônibus e metrô, que fazem o mesmo trajeto. Apesar do calor, é super simpático e funcional... ao contrário do Brasil! E enfim chegamos em casa: eu, o Juninho e a minha mala-exú. Eu cheguei a pensar que era hora de descançar... juro que pensei!

Eu quero deixar claro que este post é enorme porque eu resolvi escrever tudo o que aconteceu no intervalo em que eu fiquei sem dormir desde a nossa ida para a estação de Reading... mas acontece que eu não tinha dormido até então. E eu achei que ia dormir aquela noite e começar a mexer com a papelada da cidadania no dia seguinte, mas a papaelada me queria aquela noite mesmo. Ficamos sabendo que uma pane havia danificado o sistema informatizado da questura, e que as filas estavam imensas. Por isso decidimos que era melhor ir mesmo aquela noite, e que iríamos às duas da manhã, e a fila estava imensa! Lembrei das pessoas que precisam usar o sistema público de saúde no Brasil quando vi que umas 50 pessoas estavam na fila para um serviço que somente seria aberto ao público às 8h30. Eram todos extrangeiros querendo regularizar a sua situação, eram pessoas vindas, principalmente da Romênia, Marrocos, Albaneses, Chineses, Turcos... brasileiros... enfim, era mais gente do que eu esperava ver na fila. Aliás, eu pensei que a própria fila seria diferente, já que eu tratava de cidania. Eu confesso que já me sentia desmotivado com a Itália por causa do calor, mas aquela fila era o fim da picada, e eu me senti completamente xenófobo quando foi dando as oito e pouquinho da manhã e pessoas iam cortando a fila pelas frestas da barricada de metal desmontada, amontoando-se, fazendo algazarra, xingando... enfim, era um ambiente completamente selvagem e absurdamente contradizente para com o que eu esperava de um país de primeiro mundo... eu fiquei irritado com tudo aquilo! Chegou ao ponto de um marroquino quebrar uma garrafa para fazer alguma coisa... achamos que ele ia ferir alguém, mas pensou duas vezes e com a força que ia empregar para causar o ferimento, jogou a garrafa no teto da questura, que, par ao seu azar, ultrapassou-o e caiu no pátio, chamando a atenção dos guardas, que, furiosos, abriram a porta e ameaçaram não fazer atendimento se o responsável pela garrafa não se declarasse. Foi um bafafá até descobrirem quem era, que nessas horas já tentava sair de fininho, percebendo que aquilo não ia acabar bem. Acontece que o cara foi delatado e preso, mas na captura um dos guardas se feriu no pé e foi levado para o hospital, enquanto um segundo guarda acompanhava o marroquino até a delegacia. Como resultado da brincadeira, de cinco agora somente havia três guardas e, por isto, 40% a menos de senhas a serem distribuídas, e o pior, eu ficando de fora do atendimento, mesmo depois de ter ficado na fila desde as duas da madrugada!

Eu odiava a Itália mais que tudo na vida! Com a cara emburrada e morrendo de sono a gente foi embora. Mas ao menos fomos até a Receita Federal daqui conseguimos, numa questão de minutos, fazer o bendito. A sensação que eu tinha era de que em qualquer lugar, dinheiro facilitava as coisas, e como o Codice Fiscale tratava exatamente sobre isso, era de se esperar que corresse tudo correta e rapidamente, e marcamos para entramos na fila anda mais cedo: às oito da noite! Era uma questão de honra ser atendido daquela vez, mesmo que eu tivesse mais 14 dias para aquilo. Eu estava com ódio mortal da Itália... eu escolhia ver as coisas somente pelo lado ruim delas... e eu estava ciente disso! Foi então que o Juninho me levou para tomarmos sorvete... e foi uma experiência divina! Transcedental! Eu havia tomado o melhor sorvete da minha vida! Ponto para a Itália... aliás, quantos pontos fossem necessários. Eu poderia viver na Itália unicamente por causa do sorvete! Ai... sem comentários!

Foi então que chegou a hora de nos reunirmos na casa da advogada que me acompanha no trabalho com a cidadania. Era cerca de cinco e alguma coisa da tarde. Eu e outro brasileiro precisávamos do permesso, mas o Juninho sempre nos acompanhava [Fio, eu te amo, viu? Obrigado por tudo!]. Era hora de conversarmos sobre detalhes do processo e sobre como ele seria tramitado. Fiquei abobado com um detalhe que eu não tinha percebido... Bem, noo meio dos documentos traduzidos havia um que versava sobre a não-renúncia de cidadania. Eu pensava que era sobre eu não renunciar a minha cidadania brasileira, mas não... o bendito dizia, depois de assinado e legalizado pelo consulado italiano, que eu não havia renunciado à minha cidadania italiana! Que bafo! Na hora eu pensei em voz alta e me perguntei: “quem é que renuncia ou não à cidadania italiana?”. E a advogada diz: "apenas um italiano pode fazer isso! Este documento diz que você é Italiano.” E eu fui com novo ânimo para a fila, e com um colchão e com livro e com meu MP3 player e com baralho também. Eram 19h40 e a noite prometia ser longa, muito longa.

E mais uma vez estávamos eu, o Juninho, Altair (o outro brasileiro tantando a cidadania) e o Fabiano (companheiro da advogada), todos na fila, atrás de 19 pessoas... Sim... eram apenas 19h40 e já tinha mais de vinte pessoas na fila, contando conosco. Mas desta vez as pessoas na fila eram rostos conhecidos que não tinham sido atendidos no dia anterior, então nos armamos cheios de estratagemas para evitar que alguém sequer sonhasse em furar fila. Era muito terna a união que ia surgindo entre a gente, a fim de atingir o objetivo comum: listas eram feitas, a barricada de metal era remontada, enfim, o reconhecimento dos que estavam na fila era fundamental, principalmente entre os que estavam na área abrangida pela barricada, que já tinha mais ou menos umas 60 pessoas lá pelas uma e pouco da madrugada. Ainda tinha muito tempo pela frente e o enturmamento fazia com que vizinhos de fila jogassem baralho, conversassem, trocassem mantimentos: aquele sim era o espírito que eu pensava ser legitimamente Italiano. Inclusive, as cenas de bondade explícita me inspiraram a pensar que o pendor para o bem é uma limitação mutiladora da integridade vital. Sim, cheguei a conclusão que o bem mutila a integridade ao mesmo tempo que limita a vida, enquanto conceito. Sim, pois, se o bem é a busca pela perfeição, e é moldado com o tempo, a partir dos objetivos, poder-se-ia comparar, numa limitação tosca, que o bem poderia ser o lado positivo do Superego; isso faz com que o mal seja a Id, na forma mais pura do egoísmo, por contrariar o senso do bem-comum. Eu não enxergava outro motivo para que estranhos se aproximassem e tão bem se tratassem, senão por conta de um objetivo comum: era a famosa troca do livre-arbítrio [eu diria que o livre-arbítrio não passa de uma forma camuflada do egoísmo], em prol da proteção que somente o bem-comum pode proporcionar. E isso é ruim, afinal? Por isso as pessoas se arrebanham?

Ainda na fila tentava-se descobrir o motivo pelo qual a fila estava tão grande todos os dias. Chegou-se a pensar que era por causa das férias [Torino é uma cidade fantasma! Tudo e todos estão fechados para férias... Nunca vi isso na minah vida!], mas era muito improvável que todos os componentes da fila estivessem gozando férias, mas não.. a explicação mais plausível veio quando foi mencionada uma anistia para os imigrantes que estivessem legais, prevista para acontecer daqui a não sei quantas semanas. Não era apenas instinto de sobrevivência... era novamente o pendor para o bem, sobre o qual eu falei agora a pouco. Eu ainda podia pensar por horas ininterruptas, mas a fome chegara e eu precisava comer alguma coisa. Foi então que o Juninho me apresentou ao Kebab – o fast food local.

O Kebab era uma refeição de origem turca, e consistia num hambúrguer modificado [Risos... lembri da Madame Sheila de novo!], feito com pão sírio, recheado com vegetais, maionese, pimenta e diversos tipos de carne assada cortadas bem fininhas. Parece simples, mas o negócio é absurdo de bom! Minha vontade era de comer Kebab com sorvete pro resto da minha vida! Voltamos para a fila e fiquei divagando sobre um monte de coisas sobre as quais eu estou morrendo de preguiça de escrever agora, mas que um dia vão reaparecer na minha cabecinha ansiosa e vão parar aqui no coitado do blogger. Acontece que eu estou cansado e acho que a minha intenção de fazer durar um post o tempo que eu fiquei acordado atingiu o objetivo; por isto a vontade de escrever simplesmente que a manhã chegou.... e com ela os mesmos abutres que queriam furar a fila, mas que não conseguiram desta vez porque haviamos nos organizado... e eu consegui dar entrada no permesso e todos ficaram felizes para sempre. Mas esse não é o meu feitio... não, não, não.... definitivamente não é a minha cara fazer isso! Justo eu que, como Joana, estou fadado a ser sozinho porque não aceito os meus limites apesar de saber que não posso superá-los. Eu sei que a minha birra com os rótulos não passa de um briga tola, porque apesar de os odiar, eu preciso deles... e justamente essa dependência me faz odiá-los porque por conta deles tudo o que eu conheço de mim eu conheço através da tradução alheia... Ok, eu vou parar por aqui porque estou me sentindo um lixo hoje. Não... lixo é muito luxuoso pro que eu sinto. Deixa eu ir embora... Vou sumir por uns dias.