2.8.06

Pretérito-Mais-Que-Perfeito!

Estou pretérito-mais-que-perfeito! E creio que nome melhor não poderia ter esse Post de hoje seja por como eu fiquei, seja pelos locais que visitei... Mas para que ele [o nome do Post] faça sentido, só para relembrar, vamos a uma breve aulinha teórica de Português:

o pretérito é um dos tempos verbais, também chamado de passado, que faz conjunto com o futuro e o presente.

Sao três os preteritos, no modo indicativo:

  1. Imperfeito, usado para coisas que começaram mas não terminaram ainda, como por exemplo na sentença: O rei morria hoje cedo!;
  2. Perfeito é usado para coisas que estão terminadas, mas não a muito tempo, como em: O rei morreu hoje cedo!; e
  3. Mais-Que-Perfeito, para coisas que já acabaram muito, muito tempo atrás. Exemplo: O rei morrera há tempos...

Resolvi falar de tempos verbais e dizer que fiquei Pretérito-Mais-Que-Perfeito porque estive hoje numa igreja construida no ano de 1121, numa praça fundada em 1136 e em um cemitério fundado em 979! Já pensou há quanto tempo isso tudo tá lá? Muita raça de tempo, gente... Imagina só: 979! Ela fez não 100, mas 1.000 anos quando eu nasci! Eu tenho 27 anos, ela tem.. eita... 1.027 anos! Pois é... minha história de hoje tem a ver com o tempo... com o pretérito mais-que-perfeito, porque, afinal, 1.027 anos é tempo pra caramba!
Pois bem... ontem oIzalty havia me dito que havia ruínas de uma igreja depois de um ponto "x" que ele me indicou com o dedo. Acordei quernedo fazer com que achar aquelas ruínas fosse minha meta de hoje; então decidi que em vez de seguir adiante pelo caminho que me levaria ao centro de Reading, antes mesmo do almoço resolvi que iria achar as tais ruínas. Foi ai que botei os pés fora do número 66 da rua Watlinghton e fui bater perna!

O número 66 é essa casinha do meio [a terceira da esquerda para a direita].

Andei e andei e andei e, resolvendo seguir as placas, tive outra surpresa antes mesmo de encontrar as ruínas: fui parar num caminho memorial dedicado a Oscar Wild(*) - que nada mais é do que um caminho de pedras cercado por grandes árvores, com o canal à esquerda [ao fundo, o caminho memorial- observe as grandes árvores]...

... e no final do caminho memorial, surge a Reading Abbey Church. Eis a primeira imagem que se tem dela...

Nao dá prá imaginar o que espera pela gente lá dentro!

Olha eu lá!!!

Olha eu de novo! [Nem um pouco aparecido...]

Os primeiros monges chegaram a esta igreja no ano de 18 de junho de 1.121 e foi consagrada em 1.164.

Bem, eu fiquei chocado quando descobri que a Abadia fora destruída em 1538 pelo Rei Henry VIII no que a história chama de Dissolução dos Monastérios. Que raiva! A seguir, a vista lateral esquerda das ruínas.

Mas tudo bem... o fundador da Igreja, Henry I morreu no dia 4 de janeiro de 1.136 e foi enterrado na própria igreja, no altar mais alto, e foi criado lá um jardim que o celebra. A praça fica noroeste da Igreja, tem acesso direto para ela, e chama-se Forbury Hill. Esta e a primeira imagem que se tem da Forburry Hill quando se sai pelos fundos da Reading Abbey Church.

Detalhe a cruz que serve de memorial ao Rei Henry I.

Eu poderia ficar horas postando fotos que fiz da Forburry Hill, mas paciência tem limite! Tem outro lugar pra falar a respeito! Sim, sim, e aproveitando a deixa, peguei um caminho que me levava ao centro comercial da cidade, e descobri uma feira livre igual às que a gente tem em Valadares, no meu caso, às quintas-feiras. Como não é comum para nós, achei um charme comprar cerejas in natura e amoras - e tudo muito, mas muito barato! E em frente a esta feira, outro tesouro histórico: a Igreja de St. Mary - The Virgin.

Seria uma igreja comum se ela nao tivesse sido fundada no ano de 979 pela Rainha Elfrida, segunda esposa do primeiro rei da Inglaterra, Edward I. Eu cheguei e a igreja está em intensa reforma, mas acho que na Net eu posso achar uma foto de como ela se parece...

Pronto, ali esta a foto da igreja... mas o melhor de tudo e que nos arredores da igreja existe um cemitério! Um cemitério lindo, tão antigo quando a igreja. Olha eu no cemitério!

Eu fiz um filminho do cemitério também. Reparem que a igreja está toda protegida por causa da reforma. Sim, de um lado fica uma avenida e do outro lado um shopping center... Aff!


Ai... acho que por hoje está bom!
Deixa eu ir fazer outra coisa!

(*) Oscar Wild é autor de, entre outras obras, O Retrato de Dorian Gray.

Café-da-manhã!

Não é novidade pra ninguém que me conhece que eu a-do-ro cozinhar, então, nada mais natural que perguntar: onde estão as comidas locais? Bem, não há muitas comidas locais, já que estamos num lugar tomado pelo mundo - mesmo aqui em Reading, ouvindo e vendo as pessoas, eu não entendo a maioria das línguas e não compreendo bem as roupas. Vê-se muitos indianos por aqui! Muitos mesmo... Sim, grande parte pode e deve ser auto-estilo, mas quem garante?
Foi então que me sugeriram o café-da-manhã Inglês. Mark adora [ele e escocês] e o Izalty corre como o diabo f0ge da cruz. Perguntei o porquê e, segundo ele, os culpados eram os feijões doces! Sim.. feijoes doces. Pensei: "Argh! Deve ser uma porcaria..." Mas, como diria o André: "No inferno, abraça o Capeta"! E foi quando pedi o meu prato e veio algo parecido com esse lindo e colorido prato que chamando de Huge Breakfast...

Na base são servidos bacon [imenso de grosso que pensei que fosse presunto - o povo come aqui como se fosse bife (palavras do Izalty!)] e ovos fritos, mas como se pode ver, as variantes são muitas, mas a foto mostra muito bem o que se come por aqui: torradas com maneiga, lingüiça, tomates grelhados, cogumelhos fritos e feijão. O feijão é uma história a parte: O Izalty falou que eram doces, então achei que fossem feitos com açúcar, e confesso que morri de medo de experimentar, mas não eram doces não - eram feitos a base de molho de tomate! Só isso! E o molho tem gosto de catchup... pra imaginar o gosto pense que está comendo feijão com catchup e menos sal do que se geralmente coloca no Brasil. Minha opinião? Ma-ra-vi-lho-so!

1.8.06

Carpe Diem!

Sim, eu confesso... estava inseguro para sair, porque logo quando cheguei, percebi que o que faz um país, não são os limites territoriais ou a sensação de fazer parte da história, ou de estar pisando no mapa... o que faz um país é a cultura, a língua – todo um aparato folclórico e, por que não, o conceito local do que é ou não é normal? Por conta disso tudo, eu confesso que estava sim inseguro para sair. Mas medo de quê?

No mesmo dia em que eu coloquei os pés em Reading eu percebi que estava em outro lugar muito distante da minha casa, e de certa forma foi frustrante porque eu imaginava que aqui não se jogava lixo nas ruas, ou que o povo fosse mal-educado: eu estava errado até sobre isso, meu Deus! Eu que odeio tanto os rótulos, rotulei um país e fui enganado pelas minhas expectativas.

A gente imagina um outro país como envolto em uma aura toda mágica, onde o céu seria diferente, o chão seria diferente, as pessoas seriam diferentes... até os cahorros de rua [que diga-se de passagem não existem] seriam difernentes! Mas quando se pisa e percebe-se que estamos no mesmo planeta, submetidos à mesma atmosfera, que o chão é composto pelos mesmos mineirais – em maior ou menor escala de um ou de outro, mas do mesmo material, e que as pessoas são também deuses de si mesmas e, por isto, heróis de sua própria história, fica-se com medo porque todas as suas expectativas foram em vão. E eu tive uma ótima surpresa, porque percebi que aqui é melhor do que eu poderia imaginar, mesmo nos meus devaneios da matinais.

Mas então por que eu estava com medo? Era uma pergunta pertinente que me fazia olhar da janela para o lado de fora e mergulhar em ostracismo e outros meios de introspecção, até que de-repente peguei-me sem tempo para ficar com medo porque estava quase sem bateria no meu celular, e como meu carregador tem dois pinos e as tomadas aqui têm três – diferentes, diga-se de passagem dos três pinos brasileiros. Eu tive que escolher entre ficar com medo ou ficar sem celular! Nao tive dúvidas: vesti uma roupa, sai de casa e fui procurar uma loja de materiais elétricos. Estava disposto a correr toda a cidade para achar um adaptador. Preparei-me psicologicamente e até ensaiei uma explicação para quando finalmente encontrasse o artigo do qual eu tanto precisava - afinal de contas, para que serveria um número Inglês se o telefone não funcionasse?

Eis a bendita tomada Inglesa. Imaginem o plug disso!

Andei cinco minutos e encontrei uma lojinha simpática na qual eu poderia pedir informações sobre onde eu encontraria o meu adaptador. Cumprimentei o vendedor – uma simpatia de pessoa, e comecei a descrever o meu problema. Eis que no meio da minha explicação ele estica o braco e pega justamente o adaptador do qual eu precisava, e me perguntou se era aquilo o que eu precisava. Fiquei desapontado porque eu tinha preparado todo um monólogo que ainda levaria umas três frases para ser terminado, e também não estava preparado psicologicamente para terminar assim tão rapidamente a minha jornada – e diga-se de passagem que nem prematuramente foi terminada, mas sim num um sucesso absoluto. Volto para casa calado e sem graça, porque tinha preparado-me para tantos obstáculos no que seria o empreendimento do dia.... menos de dez minutos depois de ter saido de casa. Decidi que deixaria o telefone carregar uns minutos, mesmo porque, era este o obejtivo de todo o meu estardalhaço, certo? Ainda meio bebado com o acontecido, saí, mas desta vez sem rumo. Decidi seguir o rio Thames.

Caminhando – sempre pela esquerda, como os Ingleses, percebi que o medo não era do local, das pessoas, da situação e nem de mim! Meu medo era da felicidade! Sim, da felicidade. Percebi que tememos a felicidade porque muitas vezes não sabemos o que pode mantê-la conosco. Porque, assim como era difícil alcançá-la, era ainda mais difícil, matê-la! Lembrei-me de tomar o suco de caixinha bem vagarosamente, com medo de que ele acabasse mais cedo do que o esperado, ou de usar com menso freqüência a roupa nova, com medo de que ela gastasse antes do esperado... mas o que era esse tal de “esperado”, meu Deus? Que momento soberano é esse para o qual esperamos por toda a vida? Será que a felicidade tem hora certa de acontecer? E se ela contecer, será que ela acaba? Será que a felicidade se gasta? E se ela se gasta, ela também é renovavel? E lembrei-me de uma música....

Felicidade foi se embora, e a saudade no meu peito ainda mora e é por isso que eu gosto lá de fora, porque sei que a falsidade não vigora. A minha casa fica lá de traz do mundo, onde eu vou em um segundo quando começo a cantar! O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar... (Folclore)

E depois de outra...

A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor: brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor.../A felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval: a gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho, pra fazer a fantasia de rei ou de pirata ou de jardineira, pra tudo se acabar na quarta feira./A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar: voa tão leve, mas tem a vida breve - Precisa que haja vento sem parar!A minha felicidade está sonhando nos olhos da minha namorada. É como esta noite passando, passando em busca da madrugada! Falem baixo, por favor prá que ela acorde alegre como o dia, oferecendo beijos de amor...Tristeza não tem fim; felicidade sim. (Tom/Vinícius/João)

Desculpa, pessoal, mas todos estão errados - humilde eu, né? Mas, segundo Aristóteles - ele sim tem moral pra falar - a felicidade não tem fim não, porque a felicidade não é material, e depende de algo aparentemente simples. Por exemplo, se o suco de caixinha acaba, a felicidade não tem que acabar junto, ou se a calça fica velha, a feliciade não tem que desbotar também. A felicidade é a capacide de contemplacao, é a capacidade de ver todos os dias a mesma coisa e se maravilhar com ela, por mais insignificante que seja... é a capacide de ver Deus nas coisas mais pequenas, e perceber que sem elas – mesmo as mais aparentemente insignificantes, o mundo não seria como conhecemos! Foi aí que entendi que eu criava dificuldades estúpidas para dificultar e adiar a minha felicidade, mas não porque sou masoquista, mas por necessidade de dolorsa e doentiamente prolongar o prazer! Foi então que eu entendi que estava na Inglaterra, e que o fato de eu caminhar pela cidade e conhecê-la, não vai me entediar, mas sim, aprazer-me cada vez mais a partir da capacidade de observar cada vez mais de perto as coisas que se tem a fazer – e não fazer também!

Ontem eu caminhei por toda a cidade – bem, o que eu pude, e vi coisas maravilhosas, senti cheiros diferentes, ouvi sotaques e línguas irreconhecíveis, e me senti vivo! Eu pensei que aquele era o começo da felicidade.. mas eu estava errado: era apenas “a” felicidade. Era um momento simples e finito, que viria e iria, assim como deve ser. [Tudo que se tem em demasia, ou em deficiência, é ruim - mesmo a felicidade e, por que não, paz?] E depois de ontem eu me senti completamente satisfeito por ficar em casa o dia inteiro, de pijamas, tomando banho de banheira por horas e sair só pelo prazer por dizer que fiquei em casa o dia inteiro não por falta do que fazer, mas porque eu escolhera assim. E senti-me confortável com o fato de que eu não quero nem saber o que eu vou fazer ou deixar de fazer amanhã! Carpe Diem – e tenho dito!

31.7.06

Here I am just like I said I would be....

Cheguei menos de uma semana atrás e já passeei em Londra(*) com o William. Para os que acompanharam o processo de preparação da viagem, sabem que eu comprei um guia fantástico da Europa, e ele me foi extremamente útil já no primeiro dia: passei de ônibus [sim, no segundo andar].
Detalhe legal: Não é o único método, mas comprei, por £3,50 uma passagem de ônibus [o bilhete cor-de-rosa] que me dava direito a pegar quantos eu quisesse, de qualquer lugar para qualquer lugar da cidade, durante todo o dia! Amei!

Passagens

Só que para chegar até Londres, tive que pegar um trem [o bilhete laranja] que levaria cerca de 40 minutos para me deixar no ponto chamando Claphan Junction, onde o Will me encontraria. Nesses momentos tudo foi aventura já que o Izalty tinha que trabalhar, mas ajudando-me a comprar as passagens, me deixando dentro do trem - a partir daí era comigo para colocar em prática meu Inglês e um pouco do meu raciocínio.
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Dentro do trem eu me senti preocupado, no começo, mas depois que vi que era tudo muito simples e organizado, fiquei calmo e aproveitei a viagem observando a paisagem Britânica - lindíssima, por sinal. [Em Minas somos acostumados aos montes, motanhas e terrenos acidentados, mas nunca planos... aqui eu não vi até agora nenhuma montanha ou mesmo uma simples evevacão irregular de relevo. Tudo é novidade!]
Detalhe legal: Passamos por Richmond, a cidade onde viveu Virginia Woolf, a minha autora internacional favorita.
O primeiro grande ponto que visitei em Londres foi alcançado quando seguimos pela Millbank Street: o Parlamento Inglês.

Fiz um filminho do Parlamento também! [Para ver o clipe, clique na setinha e aguarde carregar.]


O Big Ben fica no Parlamento.

Subindo pela Whitehall Street cheguei ao Trafalgar Square.

Para quem não se lembra, a Cyndi Lauper gravou o clipe de Change Of Heart nessa mesma praça. [Para ver o clipe, clique na setinha e aguarde carregar.]

Mas não fomos só eu e ela que estivemos lá....

E a seqüência foi pela Charing Cross Road, com parada final no SoHo...
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(*) Um colega quis me corrigir dizendo que eu tinha digitado errado, mas não, LONDRA, é LONDRES, em Italiano. Yeah, yeah, cheers, thanx a lot!

30.7.06

Alta noite já se ia - ninguém na estrada andava...

Estou hospedado na casa do Izalty em Reading - uma cidade lindíssima, que tem o tradicional e o contemporâneo na distância de uma esquina para a outra! Valadares também tem disso, mas de um jeito bem peculiar:

Valadares é a única cidade que conheço onde as BMWs buzinam para as carroças saírem da frente.... mas tudo bem.


Well, é verão na Europa e contamos com o fuso horário também: estou cerca de cinco horas adiante do horário do Brasil. Vejam a simpática foto que, além de ter sido feita da janela do quarto do Izalty, foi feita - pasmem, às nove horas da noite- horário local, ou 4 da tarde, no Brasil.

Parte III – Quem tem medo da Imigração... Imigração... Imigração?

CONVERTENDO-ME NA MINHA PRÓPRIA FICÇÃO
Relatos dos dias 26 e 27 de julho de 2006.

Parte III – Quem tem medo da Imigração... Imigração... Imigração?


Completamente surdo, pergunto a um simpático senhor qual das filas seguir, que, depois de me perguntar a nacionalidade, indica a fila e ainda questiona se eu tinha preenchido o bendito formulário. Levei uns cinco minutos para preencher, mas fui para a fila.

Eram 12 guichês com um funcionário em cada um e um balcão elevado, cercado de vidros opacos com outros 4 ou cinco funcionários dentro.

Quase na minha vez constatei que faltaram dados no formulário, e permiti que um senhor passasse a minha frente, para que eu preenchesse o restante. Em seguida fui chamado por uma senhora de cabelos negros e longos ate o ombro, branca e muito bonita, aparentando ter seus quarenta e poucos anos. A primeira pergunta foi: o que voce pretende fazer aqui? Respondi que iria a um show da Madonna no dia quinze de agosto e mostrei-lhe a fatura do cartão de crédito junto dos respectivos e-mails onde me instruiam a coletar os ingressos no dia do show. A segunda pergunta foi: quanto tempo voce pretende ficar? Respondi que pretendia ficar até meados do dia vinte, porque em seguida iria para a Itália dar continuidade no meu processo de obtencão da cidadania italiana, mostrando os documentos que levava comigo. Em seguida ela pergunta aonde eu iria ficar, e mostrei a carta-convite assinada pelo William. Nesse momento ela pediu que emprestasse os documentos apresentados, dando-me um protocolozinho, e pediu que eu sentasse uns instantes, enquanto ela conferia alguns dados. Enquanto esperava pude observar a fila da esquerda, composta por pessoas da comunidade européia seguindo muito facilmente, e a da direita, de onde eu vim, cheia de pessoas paradas nos guiches, dando explicações.

Volta a funcionária da imigração fazendo mais perguntas, mas pude notar um papel semelhante a um fax, coma foto do William, parecendo uma espécie de relatório. Ela me disse que conversou com meu amigo e que as nossas situações eram bem parecidas, mas que ela ainda iria conversr com um colega que falava italiano, para checar o teor dos documentos, e pediu que eu esperasse mais uma vez, subindo para o balcão mais alto, conversando com uma das cinco pessoas que lá estavam. Algumas das pessoas que estavam dando informações para a imigração continuavam lá, de pé, diante dos guichês, enquanto voltava a simpática mulher que me atendia. Na volta ela diz que obviamente eu tinha meios de me sustentar, visto que eu usara o cartão internacional para comprar o ingresso e me pergunta se aqueles documentos seriam suficientes para adquirir a dupla nacionalidade Foi quando eu lhe contei a história do tio Geraldo, e tudo mais. Ela sobe de novo e conta a história para o seu colega e logo veio diretamente para o guichê, chamando-me e dando-me o meu material para que guardasse, dizendo:
“gostei de você. Você parece ser uma pessoa legal. Eu vou lhe dar o visto de entrada se me prometer que voltará para me mostrar o seu passaporte italiano”.
Preciso dizer o que respondi? Em seguida pedi desculpas por não ouvir muito bem e falei da turbulência. Como sempre ela se demonstrou simpática e até me contou sobre como ela enjoa em vôos, quando, me aproveitando o seu sorriso, perguntei sobre onde poderia pegar minha mala, ela pediu que a seguisse por alguns instantes e vendo um quadro com um lindo cheese-cake de amoras eu disse que adorava as sobremesas inglesas, e ela completou:
“quando você voltar e me mostrar o seu passaporte, eu lhe passo umas receitas”.
Fiquei bege... Léo trocando receitas coma funcionária da imigração! Quem diria.... [O que deve ter de Valadarense fazendo voodoo agora nem tá no mapa!] Mas ainda faltava pegar a mala antes de me encontrar com os amigos. Desci.

Pedi outras informacçõs e cheguei à esteira número quatro. Esperei, esperei, mas nada da minha mala! Pedi informações a um funcionário que estava na esteira e, depois de verificar, ele me disse que não tinha mais nada lá dentro. “Ai!” – pensei. Seguindo suas instruções voltei pro guichê onde pedi as primeiras informações sobre a bagagem e preenchi um boletim de ocorrência, dando o endereco e telefone do William para quando ela fosse encontrada! [Credo, minha mala sempre fica na metade do caminho! Que horror!] Reconheci um dos homens que também reclamava da perda da sua bagagem – era um dos que estavam se explicando lá em cima - parece que era o dia dos Brasileiros. Saímos juntos e quando literalmente vi a luz, estavam os três fofos sentados: o Izalty, o William e o Mark. Izalty trazia consigo uma folha de papel A4 com os dizeres:
“It’s me, dear!” - vide AbFab...
Abraçamo-nos, conversamos, contei tudo e fomos para a casa do Izalty em Reading – o William mora em Londres, o chique!

Mark [estouc ercado de fofos aqui!] é um amigo do Izalty [sem comentários sobre a fofura dele!] que veio com ele me buscar de carro. A impressão que se tem é que a distância entre Reading e o Aeroporto de Gatwick é a mesma distância entre Confins e Belo Horizonte, mas a tempestade que atrasou o pouso do avião da British lá no ar chegou comigo e então caiu um toró daqueles de fazer carros baterem, pistas inundarem, e o trânsito ficou em média 40km/h: eram as boas-vindas da rainha! Foi então que um trajeto de uma hora foi feito em quase quatro! Mas a viagem foi ótima e bem minha cara... e, enfim, fiquei feliz por não ter parado na África, né?
Depois conto como foi minha primeira viagem até Londra!

Parte II – Meio longe de casa....

CONVERTENDO-ME NA MINHA PRÓPRIA FICÇÃO
Relatos dos dias 26 e 27 de julho de 2006.

Parte II – Meio longe de casa....

Engraçado que na medida em que ia para mais distante, a temperatura do ar do lado de fora ia ficando cada vez maior... mas a chegada a Madri foi um absurdo! Eita lugar quente, meu Deus! [Gente, é verão, o que eu queria?] Mas o vôo IB6820 ainda tinha outras surpresas!
  1. A primeira delas uma aeromoça, aliás, uma aerosenhora [e dá-lhe neologismos!] com um corte de cabelo fantástico que eu tenho certeza de que minha mãe adoraria. Até então todos os vôos tinham um terminal de vídeo que monitorava a temperatura exterior, a altitude, e entre outras coisas, fazia uma simulção gráfica do local por onde se sobrevoava.
  2. Assim que deixamos o Brasil, passando pelo Rio Grande do Norte, de encontro com o Oceano Atlântico, passamos por uma turbulência muito grande. A mais intensa que eu ja presenciara, e parece que a maior e mais intensa que a maioria presenciara... as pessoas em fila para usar o banheiro [aconteceu logo após o jantar] cairam no chão, outras ainda ocnseguiram se segurar nas cadeiras vizinhas. A luz falhou, algumas pessoas chegaram a ensaiar um grito. Fiquei com medo sim, claro, mas nem tanto quanto uma senhora, em especial, perto de mim, que tremeu por muito tempo depois. Nao sei ao certo o porquê de acontecerem as turbulências, mas o fato de ter acontecido justo quando começou o sobrevôo do Atlântico deve ter algo a ver com choques de temperatura – isso deve ser melhor explicado por um meteorologista ou por um físico!


Mas, enfim, cheguei ao aeroporto de Madri! Lindo, lindo! Moderno, mas bem desorganizado! Levei bastante tempo pra localizar minha plataforma de embarque, pois, não estava sendo mostrada nos terminais, mas apenas anunciada pelo sistema de som – em Espanhol

e em Inglês. Lembrei da Dona Franchica [Ela foi para Tolousse] quando consegui compreender a mensagem e descobri o portao de embarque ate o voo da British Airlines 2465, que pra comecar, atrasou uma hora porque teve problemas na hora de fechar a porta, mas tudo bem.

Chegando ao Reino Unido acontecia uma tempestade que nos forcou a ficar outros cinqüenta e tantos minutos no ar, esperando-a dissipar. Chegando ao aeroporto de Gatwick, vi corvos na grama e pensei: "ai... ainda falta falar com a imigracao"! Mas ainda não tínhamos entrado no aeroporto... ficamos outros vinte minutos parados porque a plataforma de desembarque havia sido retirada devido a demora... dá para acreditar? Eu marcara com amigos a chegada para as duas e meia da tarde – aliás, não eu, mas a companhia aérea, que não desprezava nem um minuto, marcando horários tais como duas horas e trinta e três minutos ou meio-dia e vinte e nove minutos, mas já eram mais de três e meia da tarde! Meus ouvidos estavam estourando por causa da pressão acumulada durante tantas horas e eu não ouvia praticamente nada. Não ouvi nem quando as aeromoças distribuiram um formulário destinado aos não naturais da comunidade européia.

Mas enfim, saímos do avião, e depois de dezenas de curvas, chego a imigracão – um momento decisivo [eu cresci em Valadares, lembra,-se?], todos vão concordar.

...continua.

Parte I - No Brasil

CONVERTENDO-ME NA MINHA PRÓPRIA FICÇÃO
Relatos dos dias 26 e 27 de julho de 2006.
Parte I - No Brasil


Ontem eu cheguei à cidade de Reading, na Inglaterra. Mas para aqueles que me conhecem, sabem que nada é tão plano assim para mim. Tudo começa quanto minha família me deixa diante do portão de embarque do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, e embarco num vôo da TAM.

Dentro do avião eu lia uma biografia da Clarice que tinha uma cópia de uma carta endereçada a um amigo, que dizia assim:
“é esquisito escrever uma carta de tão longe, parece que se fica com a obrigacão de escrever coisas formidáveis. Por favor, nada é formidável, ou sei lá, talvez tudo seja”.
Quando li a frase eu me senti compreendido, e enquanto me convencia de que tudo era [sim] formidável, eu olhava pela janela para a topografia Mineira e observei, de relance, o monitor que informava o clima do lado de fora: -66°C. Isso mesmo: sessenta e seis graus negativos lá fora. Foi impossível não fazer uma comparação entre altitude e clima, que logo se converteu em uma metáfora entre posição social/profissional e a solidão: quanto mais alto, mais solitário e, por que não, frio?

Chegando à São Paulo, a TAM deveria ter nos transportado, de ônibus, de Congonhas para Guarulhos, mas acontece que o ônibus sai de uma em uma hora do terminal e tinha, logicamente, lotação específica. Resultado? Filas quilométricas porque a cada segundo (exagero?) chegava mais uma alma que tinha que ser transladada! Um deles saia exatamente quando eu chegava e aderi a uma fila de passageiros que embarcariam no próximo ônibus. Os taxistas nos cercavam como carcaras em busca de um umbigo desprotegido, e quando chega o ônibus seguinte, acreditem – pasmos como eu fiquei: ele lotou faltando uma – sim, uma pessoa para eu entrar! Fabiana, a garota na minha frente ficou indignada. Eu, por outro lado, ficaria tão ou talvez ate mais indignado que ela se estivesse no seu lugar, mas como para mim a indignacao foi menor porque eu me coloquei no lugar dela, apenas sugeri que dividíssemos um táxi. Alexandre, a pessoa atrás de mim concordou e fomos todos para Guarulhos a caminho do nosso check-in.

No caminho fizemos uma certa e fugaz amizade - daquelas na qual podemos ser qualquer coisa, visto que, afinal, ninguém vai poder te desmentir, mesmo porque você nunca mais verá aquelas pessoas de novo -, descobrindo que Fabiana ia para Itália também para reencontrar o namorado – fazia um ano que namoravam a distância, e o agora Dr. Alexrande – dentista em Portugal por 12 anos, ia para um congresso em Nova Iorque. Lá dentro do carro desenvolvemos uma simpática teoria sobre o povo brasileiro, juntando o fato de Fabiana não ter visto sequer uma única pessoa usando aparelho ortodôntico durante os sete meses que ficou na Itália, e o Dr. Alexandre dizer que as pessoas só iam ao seu consultório tratar os dentes da frente, porque quando o probela ultrapassava o pré-molar, era extração na certa!
Percebemos que a marca registrada do brasileiro é a simpatia, que evoca ao sorriso, e que, justamente para se mostrar simpático, o brasileiro cuida não dos dentes, mas do sorriso!
Fato este que torna ainda mais poético o cuidado que temos com nossos dentes. Ou não? Bem, certo foi que chegamos antes do ônibus que não nos coube, em Guarulhos – e antes, inclusive, do inicio do check-in! Despedi-me dos dois [novos] amigos que iam para vôos distintos em companhias diferentes. Afinal, eram histórias diferentes.
O check-in para o vôo da Ibéria – uma companhia Espanhola – comecaria às cinco da tarde, e ainda eram quatro de quarenta mais ou menos, e já havia umas vinte pessoas na fila. Quando chegou o ônibus, pessoas com quem eu conversara, ainda na fila, me perguntaram como chegara tão rápido. La pelas cinco e dez eu fui atendido e me despedi da minha mala, a qual eu deveria rever quando chegasse à Inglaterra, quase vinte horas depois. No salão de embarque fiz amizade com a Dona Franchica – uma senhora super viajada e simpática que iria para a França. Simpatia em pessoa, a Dona Franchica. Tomamos juntos um capuccino e nos despedimos depois que entramos no avião. [Adoro essas amizades fugazes! Amo mesmo!] De vez em quando tentávamos entender o que era dito no sistema de som, mas em vão – chegamos à conclusão de que não era pra se ouvir, por que que se fosse, era pra ser compreendido, não é verdade? Falamos, entre outras coisas, sobre “Alice no País das Maravilhas”, mas falamos tambem sobre o Mutley e sobre desenhos animados – estes sim feitos para crianças.
Notei que a nostalgia independe da idade, nem mesmo de experiência... aliás, a nostalgia é uma experiência individual e solitária.
...continua.

23.7.06

Money, tickets, passports!
Tô chegando, tiaaaaaaaaaaaaaaa!

A Quarta Dimensão!

O tempo, a quarta dimensão, a mais etérea delas todas, também caminha. E caminha rumo ao infinito, que por sorte, azar, ou sei lá o que nos inclui também. Sim, amigos, chegou a hora.

Hoje deixo Governador Valadares, minha casa por duas décadas inteiras de amores, rancores, desalentos, vitórias e principalmente, amizades. Amizades estas que me farão tanta falta, já que não estarei mais tão próximo dos corações siameses aos meus – apesar de que, como diria Vinícius, justamente por serem amigos, não são possessivos, e por isto, deixam caminhar, ir, viver, sonhar, voar, enfim. Está na hora de voar. Abro os braços, fecho os olhos e pulo diante do precipício, esperando que as minhas asas suportem o peso da liberdade. Fico, no entanto, triste por não ter podido me despedir propriamente de todos os meus poucos amigos, mas paradoxalmente, fico feliz por não ter feito com que estes mesmos amigos chorassem – talvez.

Vou de cabeça erguida porque acredito nos meus sonhos, amigos: sintam-se felizes por mim. Saio de cabeça erguida porque eu acredito nos meus sonhos, e por isto eles são tão vivos. Saio de cabeça erguida porque sei que ninguém pode ser escravo de sua identidade porque quando surge uma possibilidade de mudança é preciso mudar, mesmo que o conforto e o ego sejam muito difíceis de combater. Mas eu fui. E mais uma vez, parafraseando Vinícius, saio feliz não porque fiz amigos, mas porque os reconheci no meio da multidão, nomeio do rebanho, destacando-se. Fiquem com Deus – os que acreditam em Deus, que a paz esteja com vocês – para os que acreditam na paz e sejam felizes – para aqueles que acreditam em mim.

7.7.06

Quem somos: 1, 2, 3, 4, 5 (...) 111!


by the way, somos eu na(s) foto(s).

Eu nasci...

...parece que começou no dia 26 de fevereiro de 1979 às 3h40 da tarde. Mas pode ter começado nove meses antes, ou dois anos antes quando meus pais se conheceram, ou há 56 anos, quando meu pai nasceu... ou nove meses antes... Não sei quando nasci, mas sempre existi nesse espiral paralelo a ele mesmo, de acontecimentos - sou onipresente.

Meu blog, no entanto, nasce hoje - ao menos da forma com que ele se apresenta agora. Na verdade, sempre escrevi, e mesmo antes de escrever, já concatenava as idéias da forma como as organizo hoje... mas isso não tira o brilho do nascimento de um novo ser - sim, meu blog é um ser. Ele é! Ele sofreu prá nascer, como dói tudo o que nasce, e não serei alheio ao seu sofrimento, porque de que vale sofrer, se não há ninguém para se compadecer, por perto? Sou eterna pupa; Cupido sem Antero!

Eu sou um paradoxo vivo porque, só para exemplicar, gosto de sofrer. Sinto-me vivo quando sofro, e fico feliz por saber que vivo. No entanto, a fisiologia não é suficiente o tempo todo - tudo cansa, o tempo todo. A eternidade cansa, apesar de não existir nem presente, nem passado e nem futuro. O tempo é apenas a quarta dimensão! Nascimento, no entanto, é antagônico à morte. E assim como eu nunca nasci, será possível morrer?